Ação no Alemão e Penha se torna marco trágico da violência no Rio

A operação Contenção, que deixou mais de 60 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, tornou-se a mais letal da história da região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo levantamento do Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense).
Três das quatro ações com maior número de vítimas ocorreram sob o governo de Cláudio Castro (PL), segundo os dados divulgados nesta terça-feira (28).
Dados revelam crescimento da violência policial
A operação desta terça, realizada com o objetivo de conter a expansão territorial do Comando Vermelho, superou o massacre do Jacarezinho, ocorrido em maio de 2021 e que deixou 28 mortos — entre eles, um policial.
Com isso, três das operações mais violentas da história fluminense ocorreram sob a atual gestão estadual. A terceira mais letal, segundo o levantamento, foi a ação no Complexo da Penha em 2022, que resultou em 23 mortes.
Governo afirma que ação foi a maior da história
Segundo o governo do Rio, o objetivo da operação era cumprir 69 mandados de prisão em 180 endereços ligados ao Comando Vermelho. O governador Cláudio Castro afirmou que se tratou da maior operação da história das forças de segurança do estado, com uso de tecnologia e equipes integradas.
De acordo com as autoridades, criminosos lançaram bombas com drones e ergueram barricadas para impedir o avanço dos agentes, principalmente nas ruas da Penha.
Levantamento do Geni-UFF aponta tendência de chacinas
Os dados do Geni-UFF mostram que 707 chacinas policiais ocorreram na região metropolitana do Rio desde janeiro de 2007, resultando em 2.865 civis e 29 policiais mortos.
O grupo considera como chacina toda operação com mais de três vítimas civis e alerta para a “tendência assustadora” do aumento desses eventos sob a atual política de segurança pública.
Pesquisadores classificam operação como “desastrosa”
Em nota, o Geni-UFF afirmou que a operação “confirma a assustadora tendência de uso excessivo da força policial, com números inaceitáveis de mortos”.
O pesquisador Daniel Hirata, coordenador do grupo, classificou a ação como “desastrosa”, destacando que, apesar da necessidade de conter o avanço das facções, a maior parte das operações recentes no Rio não tem sido eficaz.
“Não se pode considerar uma operação com tantos mortos bem-sucedida”, disse Hirata. “Além das vítimas, há o cenário de terror vivido pela população: escolas fechadas, postos de saúde interrompidos e moradores impedidos de sair de casa. Tudo isso é intolerável em um regime democrático.”
Histórico das operações mais letais no estado
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Mais de 60 mortos – Penha e Alemão (outubro de 2025)
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28 mortos – Jacarezinho (maio de 2021)
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23 mortos – Vila Cruzeiro (maio 2022) e Vila Operária (1998)
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19 mortos – Complexo do Alemão (junho 2007)
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16 mortos – Complexo do Alemão (julho 2022)
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15 mortos – Fallet/Fogueteiro (2019); Senador Camará (2003)
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14 mortos – Complexo do Alemão (1995)
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13 mortos – São Gonçalo e Salgueiro (2023); Catumbi (2007); Vidigal (2006)
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12 mortos – Alemão (2004 e 2020); Itaguaí (2020); Vila Isabel (2009)

