Início do Conclave após a morte do Papa Francisco
O Conclave para eleger o novo Papa já tem data marcada: começará em 7 de maio, conforme confirmado pelo Vaticano após reunião do Colégio de Cardeais. A decisão ocorre após a morte do Papa Francisco, anunciada na última segunda-feira (21). O anúncio oficial, inicialmente divulgado pela agência Reuters, foi rapidamente validado pela Santa Sé.
A preparação para o Conclave envolve uma série de ritos solenes e protocolos rigorosos. Durante este período, chamado de Sé Vacante, o comando da Igreja Católica é temporariamente assumido pelo Colégio de Cardeais e pelo camerlengo, responsáveis pelas funções administrativas do Vaticano.
Enquanto isso, reuniões prévias são realizadas para definir detalhes do processo. Essas reuniões são presididas por Giovanni Battista Re, decano do Colégio de Cardeais. O objetivo é organizar todo o ritual que culminará na eleição do novo Pontífice.
Como funciona o Conclave na Capela Sistina?
O Conclave acontece na Capela Sistina, em um ambiente de isolamento absoluto. Assim que o processo se inicia, os cardeais são proibidos de utilizar telefones, internet, televisão e qualquer meio de comunicação externa. Eles ficam hospedados na Casa Santa Marta, localizada próxima à Capela.
Antes de entrarem na Capela Sistina, os cardeais participam de uma missa solene chamada Pro eligiendo Pontifice, celebrada na Basílica de São Pedro. Após a missa, em procissão e entoando cânticos como a Ladainha de Todos os Santos, eles assumem seus lugares sob a célebre pintura “Juízo Final”, de Michelangelo.
O isolamento é tão rigoroso que, após o juramento de sigilo — cuja quebra pode levar à excomunhão —, o cerimonialista proclama “Extra omnes” (“todos para fora”), determinando a saída de todos que não participam da votação.
Dois terços dos votos para eleger o novo Papa
Para que um novo Papa seja eleito, é necessário obter dois terços dos votos dos cardeais participantes. Atualmente, a Igreja possui 252 cardeais, dos quais 135 estão aptos a votar — cardeais com mais de 80 anos não participam da eleição.
Se não houver consenso no primeiro dia, o processo prevê até quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde. Caso nenhum candidato alcance o número necessário após três dias de votação, é realizada uma pausa para oração antes da retomada das votações.
Durante a eleição, cada cardeal escreve seu voto em uma cédula com a inscrição “Eligo in summen pontificem” (“Elejo o Sumo Pontífice”) e a deposita diante do altar, declarando a Cristo como testemunha de sua escolha.
A fumaça branca anuncia: Habemus Papam!
Os votos são contados por cardeais sorteados para funções específicas. As cédulas são perfuradas e queimadas com produtos químicos que geram a famosa fumaça: preta, caso não haja decisão, ou branca, para anunciar a eleição do novo Papa.
Após ser eleito, o novo Pontífice é questionado se aceita o cargo e escolhe seu nome papal ainda dentro da Capela Sistina. Em seguida, ele é apresentado à multidão reunida na Praça São Pedro com o tradicional anúncio: “Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam” (“Com grande alegria, anuncio que temos um Papa”).
O processo, repleto de tradição e simbolismo, é um dos momentos mais emblemáticos da Igreja Católica e é acompanhado com grande expectativa por fiéis de todo o mundo.

