Economia e Negócios


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Os exportadores poderão ter acesso a crédito antecipado até pouco mais de dois anos antes do embarque da mercadoria. Em reunião extraordinária nesta sexta-feira (10), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma mudança nas regras do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) que amplia o prazo para liberação de recursos aos exportadores antes do embarque de produtos ou da prestação de serviços ao exterior.

Segundo o Ministério da Fazenda, a medida busca facilitar o acesso ao crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas, e adequar o programa às novas regras do Seguro de Crédito à Exportação.

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A resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União e, segundo o governo, não gera aumento de despesas para o Tesouro Nacional.

O que mudou

Antes da alteração, o Proex permitia que o exportador recebesse os recursos do financiamento com antecedência de até 180 dias em relação à exportação.

Com a nova regra, esse prazo passa a ser de:

  • Até 360 dias antes da exportação;
  • Prorrogável até 750 dias, mediante pedido do exportador.

Na prática, empresas que precisam de mais tempo para produzir bens ou preparar serviços destinados ao mercado internacional poderão acessar o crédito com maior antecedência.

O que é o Proex

Criado pela Lei 10.184, de 2001, o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) é um instrumento do governo federal para incentivar as exportações brasileiras.

O programa oferece financiamento em condições semelhantes às praticadas no mercado internacional, permitindo que empresas brasileiras tenham acesso a crédito mais competitivo para vender produtos e serviços ao exterior.

Desde 2024, o Proex também passou a oferecer financiamento na chamada fase pré-embarque.

Pré-embarque

O financiamento pré-embarque funciona como um crédito concedido antes da exportação ocorrer.

Esse recurso pode ser utilizado para cobrir despesas como:

  • Compra de matéria-prima
  • Produção dos bens
  • Pagamento de fornecedores
  • Custos operacionais
  • Preparação da mercadoria para exportação.

Depois que a exportação é concluída, o financiamento segue as regras previstas no contrato firmado com a instituição financeira.

Por que o prazo aumentou?

Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança foi necessária para adequar o Proex às novas regras do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), garantido pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE).

Uma lei aprovada em 2026 ampliou a cobertura desse seguro para operações de pré-embarque.

Antes, o seguro cobria financiamentos de até 180 dias. Agora, a cobertura pode alcançar até 750 dias. Como grande parte das operações do Proex usa essa garantia, o governo decidiu harmonizar os dois programas.

Beneficiados

A mudança beneficia empresas exportadoras de diferentes portes, mas deve ter maior impacto para micro, pequenas e médias empresas.

Essas companhias costumam precisar de mais tempo para fabricar produtos, organizar a produção e cumprir contratos internacionais antes do embarque das mercadorias.

Mudança documental

A resolução também traz um ajuste operacional relacionado aos documentos exigidos nas exportações.

A Declaração Única de Exportação (DU-E), documento eletrônico que reúne informações aduaneiras, comerciais e financeiras da operação, deverá estar vinculada ao módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO).

Segundo o governo, a medida padroniza os procedimentos e dá mais segurança às operações.

Impacto fiscal

O Ministério da Fazenda informou que a alteração não aumenta os gastos públicos.

Isso porque o volume de financiamentos continuará limitado aos recursos já previstos no Orçamento da União para 2026 e dependerá das dotações aprovadas para os exercícios seguintes.

O que é o CMN?

Responsável por definir as diretrizes da política monetária, cambial e de crédito do país, o Conselho Monetário Nacional é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Completam o órgão o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.


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Beneficiado pelo exterior e pela inflação mais baixa que o esperado no Brasil, o mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira (10) em tom positivo. A bolsa avançou quase 3% e atingiu o maior nível desde maio. O dólar caiu pela terceira sessão consecutiva e voltou a fechar na faixa de R$ 5,10.

O principal fator para o desempenho dos ativos domésticos foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que veio abaixo das expectativas e reforçou a perspectiva de novos cortes na taxa Selic, juros básicos da economia.

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No exterior, investidores continuaram acompanhando os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Principais números

  • Ibovespa: +2,97%, aos 177.866,37 pontos
  • Dólar: -0,31%, a R$ 5,108
  • Petróleo Brent: -0,38%, a US$ 76,01 por barril

Ibovespa dispara

O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, registrando o maior fechamento desde 14 de maio e encerrando a sessão na máxima do dia.

O índice completou a terceira semana consecutiva de valorização, acumulando ganho de 2,18% na semana, avanço de 3,40% em julho e alta de 10,39% no ano. O volume financeiro negociado somou R$ 24,99 bilhões.

Dos 79 papéis que compõem o índice, apenas um fechou em queda.

O desempenho foi impulsionado pela divulgação do IPCA de junho. A inflação oficial desacelerou para 0,16%, após alta de 0,58% em maio, ficando abaixo das projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,64%.

O resultado fortaleceu as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa voltar a reduzir a taxa Selic na reunião de agosto. Juros menores tendem a favorecer o mercado acionário ao reduzir o custo de financiamento das empresas e elevar o valor presente dos lucros futuros.

Dólar recua

O dólar à vista caiu R$ 0,014 (-0,31%), encerrando o dia cotado a R$ 5,108, menor valor de fechamento desde 16 de junho. Na mínima do dia, por volta das 13h30, a cotação chegou a R$ 5,098.

Foi a terceira sessão seguida de queda da moeda estadunidense, que acumula desvalorização de 1,18% na semana, perda de 1,06% em julho e recuo de 6,94% no acumulado de 2026.

Além da reação ao IPCA, o real acompanhou o fortalecimento das moedas de outros países emergentes, em um ambiente de maior disposição dos investidores para ativos de risco, mesmo com a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Petróleo cai

Os preços internacionais do petróleo fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo, apesar da continuidade dos confrontos entre Estados Unidos e Irã.

Referência para as negociações internacionais, o barril do tipo Brent recuou 0,38%, encerrando cotado a US$ 76,01 por barril. Ainda assim, o produto acumulou valorização de 5,39% na semana. O barril do tipo WTI, do Texas, caiu 0,93%, para US$ 71,41.

O mercado continua monitorando a situação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Embora o fluxo de navios tenha diminuído desde a retomada dos ataques, a rota permanece aberta, reduzindo o temor de uma interrupção mais severa da oferta global.

Ao mesmo tempo, investidores seguem acompanhando as negociações entre Estados Unidos e Irã, que continuam influenciando as expectativas sobre o comportamento dos preços da commodity (produto primário com cotação internacional) nas próximas semanas.

* com informações da Reuters


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Os tomadores de crédito do Fies Empreendedor, voltado a estudantes e ex-estudantes adimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), pagarão juros referentes ao período de carência. Em reunião extraordinária nesta sexta-feira (10), o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma mudança na regulamentação do programa.

A regulamentação anterior, aprovada no último dia 3, cancelava a incidência de juros durante a carência, período em que o tomador não paga as parcelas após contrair o financiamento.

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O Fies Empreendedor tem carência de até seis meses para as pessoas físicas e 12 meses para as pessoas jurídicas. Com a alteração, a carência incidirá apenas sobre o valor principal da dívida. Assim que os tomadores começarem a quitar as parcelas, também pagarão os juros do período de carência.

Dessa forma, os juros durante o período de carência serão incorporados ao total da dívida, havendo a capitalização.

Fies Empreendedor

O Fies Empreendedor foi criado para oferecer uma linha de crédito com condições diferenciadas a beneficiários do Fies que estejam em dia com o financiamento estudantil.

A proposta é incentivar o empreendedorismo e, ao mesmo tempo, estimular que os estudantes mantenham o pagamento regular das parcelas do Fies.

A linha poderá ser utilizada por:

  • Pessoas físicas, para financiar atividades empreendedoras;
  • Pessoas jurídicas, para capital de giro das empresas.

Como funcionará

A taxa de juros poderá chegar a 11,19% ao ano.

Esse percentual é formado por duas parcelas:

  • até 8,94% ao ano, destinados à remuneração das instituições financeiras;
  • 2,06% ao ano, referentes à remuneração dos recursos disponibilizados pela União.

Os financiamentos serão operados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.

Prazos

As condições variam conforme o tipo de beneficiário.

Para pessoas físicas:

  • prazo de pagamento de até 60 meses;
  • carência de até seis meses para começar a pagar o principal.

Para pessoas jurídicas:

  • prazo de pagamento de até 96 meses;
  • carência de até 12 meses para começar a pagar o principal.

Em carta conjunta, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Amcham e o U.S. Chamber pedem para autoridades defenderem a relação comercial estratégica entre os países e propor uma agenda de negociação estruturada em duas etapas, com foco em evitar a aplicação de tarifas adicionais na exportação de produtos brasileiros e tornar mais forte a relação comercial.

O posicionamento ocorreu após a intensificação do diálogo bilateral, com a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em maio, durante investigação no âmbito da Seção 301 da legislação americana.

O documento, assinado pelas três entidades, é direcionado aos ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; ao ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira; ao representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer; e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.

A proposta do setor privado divide as negociações em duas fases: uma com ações de curto prazo e outra com medidas de longo prazo. Como prioridade imediata, pedem uma solução para a investigação sobre a Seção 301 que evite a aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros.

Neste momento, as entidades sugerem que os esforços sejam concentrados em temas de alto impacto:

Maior acesso a mercados para determinados produtos, incluindo insumos industriais, bens de capital e produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial;

Mais cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos;

Apoio a extensão de longo prazo da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a isenção de imposto de importação para transmissões eletrônicas;

Mais agilidade no exame de patentes e redução do estoque de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, além de fortalecer o combate à pirataria e à contrafação;

Avanço em uma cooperação acerca de minerais críticos sobre mapeamento geológico conjunto, pesquisa e desenvolvimento, investimentos para processamento e agregação de valor, assim como desenvolvimento de cadeias bilaterais de fornecimento seguras e resilientes; Implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC).

 


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A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) fechou o mês de junho em 0,14% e acumula 4,33% nos últimos 12 meses. O indicador interessa a diversas categorias profissionais pois serve de base para cálculo de reajuste salariais.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Segundo o instituto, os produtos alimentícios tiveram deflação no mês, ou seja, ficaram mais baratos 0,29% em média. O grupo dos não alimentícios subiu 0,28%.

Também nesta sexta-feira, o IBGE divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, marcou 0,16% em junho e 4,64% em 12 meses. 

INPC x IPCA

Uma diferença entre os dois índices é que o INPC apura a inflação para as famílias com renda de um a cinco salários mínimos e o IPCA, para lares com renda de um a 40 salários mínimos. Atualmente o mínimo é de R$ 1.621. 

O IBGE confere pesos diferentes aos grupos de preços pesquisados. No INPC, por exemplo, os alimentos representam cerca de 25% do índice, mais que no IPCA (aproximadamente 21%), pois as famílias de menor renda gastam proporcionalmente mais com comida. Na ótica inversa, o preço de passagem de avião pesa menos no INPC do que no IPCA.

No INPC são apurados preços de 367 produtos e serviços (os chamados subitens), dez a menos que no IPCA.

De acordo com o IBGE, a apuração do INPC “tem por objetivo a correção do poder de compra dos salários, por meio da mensuração das variações de preços da cesta de consumo da população assalariada com mais baixo rendimento”.

Reajuste de salários

O INPC influencia diretamente a vida de muitos brasileiros. O acumulado móvel de 12 meses costuma ser utilizado para cálculo do reajuste de salários de diversas categorias ao longo do ano.

O salário mínimo, por exemplo, leva o dado de novembro no seu cálculo. O seguro-desemprego, o teto do INSS e o benefício de quem recebe acima do salário mínimo são reajustados com base no resultado do INPC acumulado até dezembro.

A coleta de preços para o INPC é feita em dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A coleta também é feita em Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Os preços dos alimentos tiveram a primeira queda desde novembro de 2025 e ajudaram a inflação oficial fechar o mês de junho em 0,16%. O resultado mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o menor desde outubro de 2025

O dado de junho mostra que a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido. Em maio, o índice era de 0,58%. Em 12 meses, o IPCA soma 4,64%, ainda acima da meta do governo de até 4,5%, mas abaixo do acumulado até maio, quando era 4,72%. Em junho de 2025, o IPCA foi de 0,24%.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No semestre, a inflação acumulada fica em 3,36%. Veja o comportamento da inflação oficial nos últimos meses:

  • Junho: 0,16%
  • Maio: 0,58%
  • Abril: 0,67%
  • Março: 0,88%
  • Fevereiro: 0,70%
  • Janeiro: 0,33%

O IPCA do mês passado veio abaixo da estimativa do mercado. O relatório Focus da última segunda-feira (6), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de junho ficaria em 0,32%. Para o fim de 2026, a projeção do mercado é de 5,3%.

Alimentos

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, os alimentos representaram a maior pressão de baixa de preços.

Confira os desempenhos e os impactos em pontos percentuais (p.p.):

  • Alimentação e bebidas: -0,24% (-0,05 p.p.)
  • Habitação: 0,63% (0,10 p.p.)
  • Artigos de residência: 0,23% (0,01 p.p.)
  • Vestuário: 0,17% (0,01 p.p.)
  • Transportes: 0,17% (0,03 p.p.)
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.)
  • Despesas pessoais: 0,25% (0,02 p.p.)
  • Educação: -0,02% (0,00 p.p.)
  • Comunicação: 0,19% (0,01 p.p.)

Dentro do grupo alimentação, a alimentação no domicílio ficou em média 0,39% mais barata.

É a primeira deflação (inflação negativa) desde novembro de 2025 e o menor número desde agosto de 2025 (-0,83%). Já a alimentação fora do domicílio ficou em 0,15%.

Entre os produtos alimentícios, os que mais puxaram o IPCA para baixo foram:

  • Café moído: -3,72% (-0,02 p.p.)
  • Frutas: -1,58% (-0,02 p.p.)
  • Carnes: -0,64% (-0,02 p.p.)
  • Açaí (emulsão): -14,41% (-0,01 p.p.)
  • Óleo de soja: -2,78% (-0,01 p.p.)
  • Tomate: -2,02% (-0,01 p.p.)

De acordo com o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, o recuo dos preços dos alimentícios mostram uma tendência e representam devolução de altas recentes e maior oferta de alguns produtos, como o tomate.

Habitação

A maior pressão de alta ficou com o grupo habitação. Dentro desse grupo fica o custo da energia elétrica, que subiu 1,53%, sendo o elemento que mais contribuiu para a inflação no mês. A explicação está na manutenção da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, além de reajustes em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Como o IPCA é um índice nacional, os reajustes locais entram no cálculo da inflação média do país.

Transportes

Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas (7,12%) puxaram a inflação para cima, enquanto os combustíveis ficaram 0,48% mais baratos:

  • etanol: -3,09%
  • óleo diesel: -1,19%
  • gás veicular: -0,19%
  • gasolina: -0,12%

Espalhamento

O índice de difusão, que mostra o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, mais da metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE teve aumento de preço. O dado de junho é o menor desde outubro de 2025 (52%).

Preços de serviços e monitorados

O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia – ou seja, mais suscetíveis à taxa de juros – e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.

Em junho, o grupo de serviços subiu 0,34%, menos que no mês anterior (0,40%). Já os monitorados variaram 0,29%, também menos que em maio (0,43%).

Inflação oficial

O IPCA é o índice utilizado pelo Banco Central (BC) para monitorar a política de meta de inflação.

A meta atual estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

Desde o início de 2025, o período de avaliação é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todos, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).

A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. 


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Por mais dois meses, as exportações de petróleo bruto e minerais betuminosos (rochas e substâncias ricas em hidrocarbonetos) continuarão a ser tributadas. O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu, nesta quinta-feira (9), manter em 12% a alíquota do Imposto de Exportação sobre esses produtos.

Anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida terá validade de até 60 dias e será reavaliada após 30 dias, diante da evolução do cenário internacional.

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Segundo o governo, a decisão foi motivada pela deterioração da situação geopolítica no Oriente Médio, especialmente após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã e os novos episódios de instabilidade no Estreito de Ormuz.

Medida temporária

Em nota, o Mdic informou que a manutenção da alíquota busca preservar o abastecimento do mercado interno de combustíveis e garantir matéria-prima para o parque de refino nacional.

De acordo com a pasta, a decisão “busca a continuidade de condições adequadas de refino no país, de forma a proteger o mercado interno de possível desabastecimento de combustíveis”.

O ministério acrescentou que a medida foi adotada “diante de mudança recente das condições externas, especialmente após a deterioração do ambiente geopolítico no Oriente Médio, com novos episódios de tensão no Estreito de Ormuz”.

Contexto

O imposto sobre a exportação de petróleo foi criado por meio de uma medida provisória (MP) editada em março para compensar a redução de tributos federais sobre o diesel, adotada pelo governo para amenizar os impactos da alta internacional dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio.

A medida provisória perde a validade nesta quinta. Como se trata de um tributo regulatório, o Gecex pôde manter a alíquota por decisão administrativa, sem necessidade de aprovação do Congresso Nacional.

Inicialmente, a equipe econômica pretendia reduzir gradualmente a cobrança até zerar o imposto, caso o preço internacional do petróleo permanecesse em patamar mais baixo.

Guerra muda cenário

A estratégia, no entanto, foi revista após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar as cotações internacionais da commodity.

Nos últimos dias, o barril do petróleo Brent voltou a se aproximar da marca de US$ 80, refletindo as preocupações do mercado com possíveis interrupções no fornecimento global, diante das tensões no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Reavaliação

Na manhã desta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo também reavalia o cronograma para retirada de subsídios relacionados aos combustíveis.

Segundo o ministro, a mudança no cenário internacional exige cautela antes de qualquer nova alteração na política adotada para o setor.

A manutenção da alíquota de 12% será reavaliada pelo Gecex dentro de 30 dias, considerando a evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo e combustíveis.


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Apesar da continuidade das tensões entre Estados Unidos e Irá, o dólar fechou em queda nesta quinta-feira (9) e atingiu o menor valor em três semanas. A bolsa de valores voltou a subir, e o petróleo recuou mais de 2% no mercado internacional.

Os três mercados refletiram a melhora do apetite global por risco, com apostas de que a retomada dos conflitos no Oriente Médio não será duradoura.

Principais números

  • Dólar: -0,5%, a R$ 5,123
  • Ibovespa: +1,22%, aos 172.742,12 pontos
  • Petróleo Brent: -2,2%, a US$ 76,30 por barril
  • Dólar em 2026: queda acumulada de 6,65%
  • Ibovespa no ano: alta de 7,21%

Dólar recua

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O dólar à vista encerrou o pregão cotado a R$ 5,123, com desvalorização de R$ 0,029 (-0,5%), registrando o menor fechamento desde 17 de junho. Em 2026, a divisa acumula queda de 6,65%.

A moeda estadunidesne acompanhou o movimento observado no exterior, onde perdeu força frente a moedas como euro e iene, além de divisas de países emergentes, entre elas o peso chileno, o peso colombiano e o rand sul-africano.

Mesmo com o feriado da Revolução Constitucionalista no estado de São Paulo, o mercado de câmbio funcionou normalmente, embora com menor volume de negócios.

Durante o dia, o dólar oscilou entre R$ 5,156, por volta das 10h, e R$ 5,1129, por volta das 15h.

O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuou 0,08%, aos 100,940 pontos.

Bolsa reage

O Ibovespa interrompeu três sessões consecutivas de queda e fechou em alta de 1,22%, aos 172.742,12 pontos.

O desempenho acompanhou o avanço das bolsas norte-americanas e foi favorecido pela redução dos prêmios de risco no mercado internacional, movimento que também contribuiu para o fechamento da curva de juros no Brasil.

Mesmo com a recuperação desta quinta-feira, o Ibovespa ainda acumula queda de 0,76% na semana. Em julho, o índice sobe 0,42%, enquanto o avanço em 2026 chega a 7,21%.

Petróleo perde força

Depois de alcançar o maior nível em duas semanas na quarta-feira (8), o petróleo devolveu parte dos ganhos.

O barril do tipo Brent, referência para negociações internacionais, caiu 2,2%, encerrando o dia cotado a US$ 76,30 por barril. O barril WTI, do Texas, recuou 2%, para US$ 72,08.

A correção ocorreu apesar da continuidade dos ataques entre Estados Unidos e Irã e das dificuldades no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O mercado passou a reduzir parte do prêmio de risco geopolítico após relatos de esforços diplomáticos para uma possível retomada das negociações entre Washington e Teerã, diminuindo o temor de uma interrupção prolongada na oferta global da commodity (bem primário com cotação internacional).

* com informações da Reuters


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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) uma operação contra fraudes previdenciárias na Bahia. A ação, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), visa combater um esquema de fraudes na concessão de benefícios previdenciários para segurados especiais indígenas. 

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nos municípios baianos de Eunápolis e de Porto Seguro, no Sul da Bahia.  

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A Justiça Federal também determinou o afastamento de dois servidores públicos envolvidos nas falsificações. 

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Monã, que apura a utilização de declarações falsas de pertencimento a comunidades indígenas para obtenção irregular de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Entre os benefícios fraudados estão as aposentadorias rurais, salários-maternidade e de outros pagamentos previdenciários.

A PF disse ainda que o grupo também é suspeito de atuar na contratação de empréstimos consignados vinculados aos benefícios fraudados. 

“Por determinação judicial, foi autorizado o bloqueio superior a R$ 1,5 milhão em contas bancárias dos principais investigados, além do sequestro de um veículo, como forma de assegurar o ressarcimento dos prejuízos e de impedir a continuidade das atividades criminosas”, disse a PF.

Segundo as investigações, as fraudes junto ao INSS podem ter causado prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos. 

Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e corrupção passiva.