Economia e Negócios


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A Receita Federal iniciou nesta segunda-feira (6) a operação do Receita Atende, novo canal único de atendimento digital criado para concentrar, em uma única plataforma, o relacionamento do órgão com cidadãos e empresas.

Nesta primeira fase, o sistema passa a substituir a maior parte dos serviços atualmente prestados pelo Fale Conosco, principalmente para esclarecimento de dúvidas e orientação sobre serviços administrados pela Receita.

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Segundo o órgão, a mudança faz parte do processo de modernização do atendimento ao contribuinte e busca tornar os serviços mais integrados, seguros e eficientes.

Migração gradual

A implantação do Receita Atende ocorrerá de forma gradual. Inicialmente, apenas as demandas hoje direcionadas ao Fale Conosco serão migradas para a nova plataforma.

Em uma segunda etapa, a Receita Federal pretende incorporar ao sistema o atendimento realizado por e-mail e também os processos digitais, concentrando em um único ambiente virtual praticamente todas as interações entre os contribuintes e o Fisco.

O órgão quer reduzir a fragmentação dos canais de atendimento e facilitar o acompanhamento dos pedidos pelos usuários.

Mais integração

De acordo com a Receita Federal, o objetivo é oferecer uma experiência mais simples para cidadãos e empresas, reunindo em um único local os serviços de orientação e atendimento digital que hoje estão distribuídos em diferentes plataformas.

A centralização também deve permitir maior controle sobre o histórico das interações, além de contribuir para reduzir o tempo de resposta às demandas e reforçar a segurança das informações compartilhadas.

Impacto

A mudança afeta especialmente profissionais das áreas fiscal, contábil, tributária e de compliance (conformidade com leis e regulamentos), que utilizam frequentemente os canais da Receita para esclarecer dúvidas e tratar procedimentos administrativos.

A recomendação é que empresas e escritórios de contabilidade passem a utilizar o Receita Atende desde o início da migração, acompanhando a incorporação gradual dos demais serviços ao novo ambiente digital.

Segundo o Fisco, o Receita Atende deverá se tornar, ao fim da implementação, o principal canal de relacionamento eletrônico entre os contribuintes e o órgão.


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A Receita Federal e o Banco Central (BC) foram autorizados a realizar concursos públicos para a contratação de servidores. Para a Receita, serão 146 vagas; e para o BC, 170.

A portaria nº 5.505 do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) distribui as 146 vagas da Receita Federal entre os cargos de Analista Tributário (116 vagas) e Auditor Fiscal (30 vagas), ambos de nível superior.

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Para o Banco Central, a portaria MGI nº 5.508 autoriza a abertura de vagas de níveis intermediário e superior, sendo 100 para auditor (nível superior), 50 para técnico (nível intermediário) e 20 para procurador (nível superior), totalizando as 170 vagas.

Editais

Conforme as portarias assinadas pela ministra do MGI, Esther Dweck, a Receita Federal e o Banco Central terão seis meses para a publicação dos respectivos editais de abertura dos certames, contados a partir da última sexta-feira (3), data de publicação das portarias no Diário Oficial da União.

Caso o prazo não seja respeitado, as portarias com as autorizações de preenchimento de vagas por meio de concurso público perdem a validade.

Se o edital for publicado no prazo correto, o intervalo mínimo entre a publicação do edital e a realização da primeira prova deverá ser de dois meses


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Em fase de testes em 2026 e com início efetivo em 2027, a reforma tributária apresenta desafios sobre como as empresas controlam seus impostos e aproveitam créditos tributários.

Um levantamento da V360, empresa de tecnologia especializada na automação de processos fiscais e de pagamento a fornecedores, aponta que 66,2% das notas fiscais eletrônicas (NF-e) processadas por sua plataforma apresentam problemas que podem dificultar o aproveitamento desses créditos no novo sistema.

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Os créditos tributários representam o abatimento de tributos pagos sobre os insumos ao longo da cadeia produtiva. Têm o objetivo de prevenir a cobrança em cascata (tributação repetida sobre o insumo e o produto final). A reforma tributária generalizou o regime de créditos tributários, ao extinguir regimes especiais e cumulativos.

O estudo, chamado Termômetro do Crédito IBS/CBS, analisou de forma anônima mais de 6,4 milhões de notas fiscais processadas pela plataforma da empresa. Desse total, 64,4% chegaram com os campos destinados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sem preenchimento.

Em outros 1,8% dos documentos, foram encontradas divergências entre os cálculos informados pelos fornecedores e os valores utilizados como referência para validação.

Na prática, mesmo quando uma nota fiscal é emitida, erros ou informações incompletas poderão impedir que a empresa compradora aproveite integralmente os créditos tributários previstos pela reforma.

Novo modelo

O IBS e a CBS substituirão gradualmente tributos atuais sobre o consumo. Nesse modelo, as empresas poderão descontar dos impostos a pagar parte dos tributos recolhidos na compra de mercadorias e serviços. Para isso, porém, as informações das notas fiscais precisarão estar corretas e ser validadas ao longo de toda a operação.

Além da emissão da nota, passam a ter importância os chamados eventos fiscais, como a confirmação da operação, recusas e outras manifestações registradas no documento eletrônico. Essas informações servirão para comprovar o direito ao crédito perante o Fisco.

Para o co-CEO da V360, Izaias Miguel, o maior desafio das empresas não estará na emissão das notas, mas na conferência dos documentos recebidos.

“O mercado fala muito sobre como emitir a nota no novo modelo, mas o ponto crítico para quem opera em grande escala será receber, validar e garantir o crédito. Se a empresa não conseguir organizar o ingresso fiscal, ela pode ter nota emitida corretamente pelo fornecedor, mas ainda assim enfrentar divergências, atrasos e risco de perda de crédito”, diz.

Cadeia de risco

O levantamento mostra ainda que apenas 35,8% dos 139 mil fornecedores analisados preencheram corretamente os novos campos de IBS e CBS. Os demais 64,2% ainda não estão adequados às novas exigências.

Segundo a V360, isso significa que o direito ao crédito tributário dependerá também da qualidade das informações prestadas pelos fornecedores, tornando a gestão da cadeia de suprimentos um fator importante para evitar perdas financeiras.

Outro indicativo do estágio inicial de adaptação é que, entre mais de 10,8 milhões de eventos registrados nas Secretarias Estaduais da Fazenda (Sefaz), apenas 0,04% estavam relacionados às novas funcionalidades previstas na reforma tributária.

Automação ganha peso

Na avaliação de Izaias Miguel, o novo modelo exigirá processos mais integrados entre as áreas fiscal, financeira, compras, tecnologia e jurídica, além de maior uso de ferramentas de automação para validar documentos em grande escala.

“A reforma tributária aumenta o custo do erro operacional. Uma divergência que antes gerava retrabalho interno pode passar a afetar crédito, caixa e conformidade fiscal. O destinatário passa a ter uma função muito mais ativa na cadeia tributária”, adverte.

Ele afirma que a preparação para a reforma vai além da atualização de sistemas e exige uma revisão completa da forma como as empresas recebem, conferem e registram documentos fiscais.

“Grandes empresas precisarão sair de uma lógica reativa para uma lógica preventiva. Não basta receber a nota e corrigir depois. Será necessário validar antes, identificar riscos em tempo real e garantir que o crédito esteja protegido desde o início do processo”, aconselha.

Pequenas empresas

Segundo Miguel, a reforma afetará empresas de todos os portes, mas de maneiras diferentes.

Nas grandes companhias, o desafio será a complexidade operacional. Essas empresas costumam ter várias unidades, grande volume de notas fiscais, diferentes áreas envolvidas no processo e sistemas de gestão (ERPs) antigos ou altamente customizados, o que torna a adaptação mais demorada e aumenta o risco de inconsistências.

Embora tenham operações mais simples e menos sistemas para adaptar, as micro e pequenas empresas enfrentam outra dificuldade. Com menos profissionais especializados, acompanham com menor frequência as mudanças na legislação e têm menor capacidade de investir em tecnologia. Com isso, correm o risco de deixar a adequação para os últimos meses antes da entrada em vigor das novas regras.


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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado pelo mercado financeiro para este ano foi reduzido para 5,30%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (6) pelo Banco Central (BC). Na última semana, a estimativa era de 5,33%.

O índice, que é referência oficial da inflação no país, foi reduzido pela primeira vez após 16 semanas, mas o percentual permanece acima da meta que deve ser perseguida pelo BC, de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

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Para 2027, a projeção da inflação permanece em trajetória de aumento, passando de 4,17% para 4,18% em relação à semana anterior. As estimativas para 2028 e 2029 se mantiveram estáveis em 3,7% e 3,5%, respectivamente.

Selic

A projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026 foi mantida pelos analistas em 14%, indicando que este ano haverá mais um corte sobre a atual taxa de 14,25% estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, no último dia 17 de junho. A próxima reunião do Copom deve ocorrer nos dias 4 e 5 de agosto.

A previsão da Selic para 2027 foi mantida em 12% ao ano, em relação à última projeção. Não houve alteração na taxa básica de juros esperada para os anos de 2028 e 2029, permanecendo as projeções da última semana em 10,5% e 10% ao ano.

PIB

A estimativa média de Produto Interno Bruto (PIB), que indica o crescimento da economia brasileira, permaneceu em 1,99% para este ano. Na projeção para 2027, o indicador, que resulta da soma dos bens e serviços produzidos no país, cresceu de 1,68%, para 1,69%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro manteve a estimativa do PIB em 2% para os dois anos.

Câmbio

No boletim Focus desta semana, a estimativa para a cotação do dólar, em 2026, foi mantida em R$ 5,20. Para 2027, a projeção permaneceu em R$ 5,58 e para 2028, em R$ 5,35. A previsão  para o câmbio em 2029 ficou estável em R$ 5,40.

A China vem ampliando a infraestrutura financeira na África para não depender do dólar, o que permite comercializar bens e serviços por meio das moedas africanas e da chinesa, o yuan. 

Apesar das mudanças, o uso yuan (ou renminbi) ainda é minoritário no continente e a chamada desdolarização segue fora do horizonte, mesmo para as autoridades de Pequim.

No fim de junho, o Banco Central da China autorizou o pagamento com yuan diretamente no banco Standard Bank, maior grupo bancário do continente com sede na África do Sul, em uma parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC).

“[A parceria] nos coloca em uma posição única para lidar com renminbi chinês (RMB), permitindo que as empresas façam e recebam pagamentos em RMB para liquidações comerciais, viabilizando o comércio entre a África e a China”, diz comunicado do Standard Bank, presente em 21 países africanos.

Atualmente, a China é a principal parceira comercial da África. Entre 2000 e 2024, o crescimento médio do comércio entre o continente e a China foi de 14%, ao ano, segundo a Administração Geral de Alfândegas (GAC) da China. 

Em 1º de maio, a China decidiu isentar taxas de importações de produtos africanos, o que deve reforçar o comércio entre o gigante asiático e a África.

Yuan ainda é minoritário

O analista geopolítico Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, disse que o avanço do yuan na África ainda é tímido, mas destacou que a China vem construindo uma infraestrutura capaz de comercializar no continente sem precisar usar o dólar.

“Isso é um começo. A China tem feito uma série de iniciativas, como essas, no mundo inteiro para poder comercializar sem o dólar. Mas o montante negociado em yuan é ainda irrelevante considerando o tamanho da economia global. É como se eles estivessem construindo os trilhos para o trem bala chinês passar no futuro”, comentou.

O analista do portal Brasil de Fato acrescentou que as commodities de energia e alimentos, em sua maioria, ainda são negociadas em dólares no mundo todo.

“O yuan é hoje a quinta moeda de comércio mundial com cerca de 8,5% das transações globais, ou seja, muito pouco ainda. Mas está crescendo se você comparar com três, cinco ou dez anos atrás”, disse Marco Fernandes.

A hegemonia do dólar

Uma das agendas do Brics, grupos de países do Sul Global que inclui Brasil, China, Índia, África do Sul, entre outros, tem sido a “desdolarização” da economia mundial uma vez que o uso do dólar como moeda do mercado internacional concede vantagens econômicas e políticas aos Estados Unidos (EUA). 

A agenda de “desdolarização” da economia mundial é, por sua vez, atacada pelo presidente Donald Trump, que promete lutar para manter a hegemonia da moeda dos EUA no mundo. 

China hesita em impulsionar yuan

O também editor da revista Wenhua Zongheng International, Marco Fernandes, destaca, por outro lado, que a China não tem interesse em uma desdolarização imediata, entre outros motivos, por ter muitas reservas ainda em dólar. Além disso, Pequim tenta manter o valor da sua moeda para preservar a competitividade das exportações chinesas.

Outro problema é que a China evita abrir sua conta de capitais, medida apontada como necessária para internacionalização do yuan, a fim de não expor o sistema financeiro chinês às turbulências da especulação global. A conta de capitais representa a movimentação de recursos que entram e saem do país.

“Uma rápida desvalorização do dólar significaria um prejuízo muito grande, tanto para o Estado chinês, quanto para as empresas chinesas. É preciso que esse processo de desdolarização seja lento, gradual e seguro”, afirmou Marco Fernandes.

Alternativa ao dólar

O economista brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do banco do Brics, publicou, em junho deste ano, artigo com proposta para uma nova moeda de reserva para o comércio internacional.

Nogueira reconhece que a rede de pagamentos do Banco Popular da China (PBOC), que envolve mais de 40 bancos centrais, amplia o papel da moeda chinesa nas operações de liquidação do comércio internacional.

Porém, o especialista destaca que a substituição do dólar pelo yuan ainda não interessa à economia chinesa e propõe, no lugar, a criação de uma moeda própria para o comércio global formada por uma “cesta” de moedas dos países do Sul Global.

“A criação de uma nova unidade de conta por um grupo de países do Brics (não necessariamente todos) e outras nações do Sul Global. Em determinado momento, a unidade de conta seria convertida em uma nova moeda, preservando os mesmos pesos”, escreveu Paulo Nogueira no Valdai Discussion Club, centro de estudos sediado em Moscou.

Para o analista geopolítico Marco Fernandes, a desdolarização da economia é importante para trazer mais justiça para economia mundial, além de servir para reduzir o poder político e econômico dos EUA que, por meio de sanções e embargos financeiros, conseguem submeter outras nações aos interesses de Washington.

“Por causa da hegemonia do dólar, toda vez que o Banco Central dos EUA sobe os juros, há uma desvalorização das moedas dos países pobres. Isso significa que as importações ficam mais caras. Trigo, arroz, milho e outros alimentos ficam mais caros. Uma pequena variação pode significar a fome, ou mesmo a morte, de milhares de pessoas”, concluiu.


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O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) – organização social ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), lançou nesta semana o livro Terras Raras no Brasil: estado da arte, cenários e um mapa do caminho estratégico para 2026–2040.

Assinada por dez engenheiros, pesquisadores e professores universitários, a publicação apresenta cenários nacional e internacional e estuda cadeias industriais para a produção de elementos químicos metálicos, chamados de “terras raras”, que têm alta condutividade térmica e elétrica.

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O livro também mapeia reservas minerais no território nacional, como as disponíveis na Amazônia, estuda mercados e projeta a exploração do recurso com cooperação e capital multilateral, do Brasil e outros países.

A publicação foi apresentada no VII Seminário Brasileiro de Terras Raras (SBTR), no Rio de Janeiro na última quarta-feira (1º), evento organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério de Minas e Energia.

Os 17 elementos químicos chamados terras raras são matéria-prima usada para a fabricação de produtos de alta tecnologia e grande valor agregado –de volumosa procura mundial e importados pelo Brasil, como carros elétricos, equipamentos de defesa, smartphones e turbinas eólicas.

Caminhos delineados

Conforme o diretor-presidente do CGEE, Anderson Gomes, o livro é “um documento sobre estratégias para transformar o que a gente tem de terras raras no nosso solo em uma competitividade global.” Na publicação, se desenha “caminhos muito bem delineados para que o Brasil em 2040 esteja no lugar que deveria estar se tivesse cuidado de terras raras há 20 anos.”

Para Gomes, o Brasil tem na ordem do dia escolher se com as terras raras quer ser fornecedor de commodities -como acontece com o minério de ferro, o petróleo, os produtos agrícolas e pecuários – ou formar uma indústria que fabrique componentes e equipamentos a partir da matéria-prima e os exporte com mais rentabilidade.

Ele acredita que a alta disponibilidade de terras raras no subsolo brasileiro, um quarto do que haveria em todo o planeta, garante condições para o país auto determinar até onde irá sua cadeia produtiva. “Existe sim uma dependência de fora, mas também lá fora tem uma dependência nossa”, pondera.

“Nós temos as terras raras. Não precisamos de ninguém para dizer o que é que nós vamos fazer”, pontua o diretor-presidente do CGEE que também defende que o país adote política industrial para as terras raras, financie empreendimentos e invista na formação técnica. “Nós temos capacidade, precisamos ganhar escala.”

Segundo Anderson Gomes, a Universidade Federal de Pernambuco prepara curso de pós-graduação em rede com outras universidades para formar mão-de obra para trabalhar com terras e também aumentar o número de pesquisadores no setor.

PL em tramitação

A expectativa do CGEE é de que o livro sobre terras raras seja aproveitado nos debates no Senado Federal sobre o Projeto de Lei 2780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.

Aprovado na Câmara dos Deputados, o PL aguarda desde maio (na Secretaria Legislativa do Senado Federal) despacho da Mesa Diretora para ser apreciado em comissão.

Os minerais críticos e estratégicos, como as terras raras, são uma das áreas prioritárias da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024-2034.

De acordo com o documento formulado com a participação da sociedade, o Brasil deve “desenvolver tecnologias para exploração, beneficiamento e reciclagem de minerais estratégicos, reduzindo vulnerabilidades em cadeias essenciais e promovendo sustentabilidade mineral.”

Em um dia de feriado nos Estados Unidos, a bolsa voltou a fechar acima dos 174 mil pontos pela primeira vez em um mês. O dólar recuou e retornou ao nível de R$ 5,16.

O movimento foi impulsionado pela leitura mais fraca da produção industrial em maio, que reforçou as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Com os mercados norte-americanos fechados pelo feriado da Independência dos Estados Unidos, a liquidez foi reduzida ao longo da sessão.

O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou esta sexta-feira (3) com alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos, no maior fechamento desde 2 de junho. Na semana, acumulou ganho de 0,45% e, no ano, avança 8,03%.

O giro financeiro somou R$ 12,6 bilhões, bem abaixo da média diária, refletindo a ausência de negociações em Wall Street.

O dólar comercial caiu R$ 0,04 (0,76%), cotado a R$ 5,168. A moeda praticamente zerou a alta acumulada na semana, subindo apenas 0,03%, favorecida pelo ambiente positivo para moedas de países emergentes e pela melhora do apetite por ativos brasileiros.

Bolsa reage

O impulso para a Bolsa veio após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar que a produção industrial recuou 0,2% em maio em relação a abril, resultado inferior às expectativas do mercado.

O dado fortaleceu a percepção de desaceleração da atividade econômica e elevou as apostas de que o Banco Central poderá iniciar um ciclo de flexibilização monetária já na reunião de agosto.

A queda dos juros futuros beneficiou principalmente as ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito, diante da expectativa de melhora nos resultados corporativos e da atratividade dos preços das ações.

Câmbio

No câmbio, o real acompanhou o fortalecimento das moedas emergentes diante de um dólar mais fraco no exterior. Além da expectativa de corte da Selic, investidores também repercutiram os dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos divulgados na véspera, que reduziram as apostas em uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operou próximo da estabilidade durante a sessão, com o mercado mantendo a expectativa voltada para os próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos.

No acumulado do ano, o dólar cai 5,83% frente ao real.

Liquidez

O fechamento das bolsas e do mercado de títulos do Tesouro estadunidense, em razão do feriado de 4 de julho, reduziu significativamente o volume de negociações e limitou a formação de tendências mais consistentes.

No cenário interno, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, admitiu nesta sexta-feira a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. Isso ajudou a reduzir os juros no mercado futuro, favorecendo a bolsa de valores.

* Com informações da Reuters

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta sexta-feira (3) duas resoluções que regulamentam programas recém-criados para ampliar o acesso ao crédito.

As medidas estabelecem as regras do Fies Empreendedor, voltado a estudantes e ex-estudantes adimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), e do Desenrola Adimplentes, destinado à renegociação de dívidas de pessoas sem vínculo formal de emprego ou benefícios previdenciários.

As normas definem taxas de juros, prazos de pagamento, fontes de recursos e a forma de atuação das instituições financeiras responsáveis pela operação dos programas.

Fies Empreendedor

O Fies Empreendedor foi criado para oferecer uma linha de crédito com condições diferenciadas a beneficiários do Fies que estejam em dia com o financiamento estudantil.

A proposta é incentivar o empreendedorismo e, ao mesmo tempo, estimular que os estudantes mantenham o pagamento regular das parcelas do Fies.

A linha poderá ser utilizada por:

  • Pessoas físicas, para financiar atividades empreendedoras;
  • Pessoas jurídicas, para capital de giro das empresas.

Os critérios para acessar o crédito ainda serão definidos pelo Ministério da Fazenda por meio de portaria.

Como funcionará

A resolução estabelece que a taxa de juros poderá chegar a 11,19% ao ano.

Esse percentual é formado por duas parcelas:

  • até 8,94% ao ano, destinados à remuneração das instituições financeiras;
  • 2,06% ao ano, referentes à remuneração dos recursos disponibilizados pela União.

Os financiamentos serão operados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.

Prazos

As condições variam conforme o tipo de beneficiário.

Para pessoas físicas:

  • prazo de pagamento de até 60 meses;
  • carência de até seis meses para começar a pagar principal e juros.

Para pessoas jurídicas:

  • prazo de até 96 meses;
  • carência de até 12 meses.

Durante o período de carência, os juros não poderão ser incorporados ao saldo da dívida, evitando a chamada capitalização.

Desenrola Adimplentes

Na mesma reunião, o CMN também regulamentou a linha de crédito que dará suporte ao Desenrola Adimplentes.

O programa foi criado para facilitar a renegociação de dívidas de pessoas que não possuem emprego formal nem recebem benefícios previdenciários.

Para viabilizar as operações, a União poderá disponibilizar até R$ 3 bilhões, conforme a disponibilidade orçamentária.

Como será

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal atuarão como agentes financeiros, repassando recursos às instituições participantes do programa.

A composição dos financiamentos seguirá uma proporção definida pelo CMN:

  • 70% dos recursos virão da União;
  • 30% serão aportados pelos próprios bancos públicos.

Os recursos da União serão remunerados à taxa de 1% ao ano, enquanto os valores dos bancos públicos terão remuneração vinculada à taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

As instituições financeiras participantes devolverão os recursos públicos aos agentes financeiros com remuneração de 1,25% ao ano.

Quando Banco do Brasil ou Caixa negociarem diretamente as dívidas, a remuneração será reduzida para 0,5% ao ano, devido à redução dos custos operacionais.

Objetivo

Com a regulamentação, os dois programas criados pela Medida Provisória 1.373/2026 <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2026/mpv/mpv1373.htm> podem entrar em funcionamento.

O Fies Empreendedor busca ampliar o acesso ao crédito para estudantes e ex-estudantes que mantêm o financiamento em dia. O Desenrola Adimplentes pretende facilitar a renegociação de dívidas e ampliar o acesso ao sistema financeiro para pessoas que hoje encontram maior dificuldade para obter crédito.

O valor das exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceu 3,7% em junho de 2026, marcando a primeira alta desde julho de 2025, quando o governo do presidente Donald Trump impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (3) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o avanço foi impulsionado pelo aumento médio de 11% dos preços dos produtos exportados, já que o volume embarcado para o mercado norte-americano ainda caiu 6,6%.

Estados Unidos

Em junho, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos apresentou equilíbrio, com leve superávit brasileiro.

Principais números:

  • Exportações: US$ 3,472 bilhões (+3,7% ante junho de 2025);
  • Importações: US$ 3,471 bilhões (-12,3%);
  • Saldo comercial: superávit de US$ 1 milhão

Apesar da recuperação em junho, o acumulado do primeiro semestre ainda registra queda nas vendas brasileiras para os Estados Unidos.

De janeiro a junho:

  • Exportações: US$ 17,428 bilhões (-13% ante o primeiro semestre de 2025);
  • Importações: US$ 18,950 bilhões (-12,5%);
  • Saldo comercial: déficit de US$ 1,522 bilhão.

China amplia liderança

A China manteve a posição de principal parceiro comercial do Brasil e registrou forte crescimento nas compras de produtos brasileiros.

Em junho:

  • Exportações: US$ 12,291 bilhões (+24,4%);
  • Importações: US$ 7,801 bilhões (+27,1%);
  • Superávit: US$ 4,490 bilhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 58,322 bilhões (+21,9%);
  • Importações: US$ 38,545 bilhões (+8%);
  • Superávit: US$ 19,777 bilhões.

União Europeia

O comércio com a União Europeia também apresentou expansão em junho, embora o governo ainda considere prematuro medir os impactos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu, que entrou em vigor provisoriamente em maio.

Em junho:

  • Exportações: US$ 4,888 bilhões (+32,4%);
  • Importações: US$ 4,708 bilhões (+13,9%);
  • Superávit: US$ 180 milhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 26,906 bilhões (+12,8%);
  • Importações: US$ 24,263 bilhões (-0,4%);
  • Superávit: US$ 2,643 bilhões.

Segundo Herlon Brandão, já existem relatos de empresas que aproveitam os benefícios do acordo, mas ainda não há dados suficientes para medir seu impacto sobre o comércio exterior.

Argentina perde ritmo

As exportações para a Argentina recuaram em junho, reflexo da menor demanda do mercado vizinho por produtos brasileiros, segundo o Mdic.

Em junho:

  • Exportações: US$ 1,325 bilhão (-18,1%);
  • Importações: US$ 1,285 bilhão (+17,2%);
  • Superávit: US$ 40 milhões.

No primeiro semestre:

  • Exportações: US$ 7,352 bilhões (-19,4%);
  • Importações: US$ 6,401 bilhões (+3,8%);
  • Superávit: US$ 951 milhões.