Viktor Orbán, idolo da extrema direita deixa o poder após 16 anos. após resultado histórico nas eleições da Hungria
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota neste domingo (12), após o que chamou de um resultado eleitoral “doloroso”, encerrando 16 anos no poder de uma figura influente do movimento de extrema direita, aliada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin.
Resultados oficiais parciais mostram o partido do líder da oposição, Péter Magyar, dominando a votação, em um resultado eleitoral surpreendente com repercussões em toda a Europa. “Obrigado, Hungria!”, publicou Magyar na rede X, enquanto milhares de seus apoiadores se reuniam às margens do rio Danúbio, em Budapeste.
Köszönjük Magyarország!
— Magyar Péter (Ne féljetek) (@magyarpeterMP) April 12, 2026
Em outra parte da cidade, Orbán disse a seus seguidores que “parabenizei o partido vencedor”. “Vamos servir à nação húngara e à nossa pátria também a partir da oposição”, afirmou o agora ex-mandatário.
Com 60% dos votos apurados, o partido Tisza, de Magyar, tinha mais de 52% de apoio, contra 38% do Fidesz, partido governista de Orbán. Essa proporção deve mudar à medida que mais votos forem contabilizados ao longo da madrugada.
Trata-se de um duro golpe para Orbán, o líder mais longevo da União Europeia e um de seus maiores antagonistas, que percorreu um longo caminho desde seus primeiros anos como um liberal combativo e antissoviético até o nacionalista próximo da Rússia admirado hoje pela extrema direita global.
Os partidos de Orbán e de Magyar disseram ter recebido relatos de irregularidades eleitorais, sugerindo que alguns resultados podem ser contestados por ambos os lados juridicamente.
A participação até as 18h30 ultrapassava 77%, segundo o Escritório Nacional de Eleições — um número recorde em qualquer eleição na história pós-comunista da Hungria, demonstrando o engajamento da população.
“Peço aos nossos apoiadores e a todos os húngaros: vamos permanecer pacíficos, alegres e, se os resultados confirmarem nossas expectativas, vamos fazer um grande carnaval húngaro”, disse Magyar em tom de celebração.
O chefe de gabinete de Orbán, Gergely Gulyás, afirmou que a participação recorde, maior desde o fim do regime comunista, demonstra que “a democracia húngara é extremamente forte”, apesar da derrota do governo.
Orbán tem frustrado repetidamente os esforços da União Europeia para apoiar a Ucrânia em sua guerra contra a invasão da Rússia, ao mesmo tempo em que cultiva laços estreitos com Vladimir Putin e se recusa a encerrar a dependência energética russa. Revelações recentes mostraram que um alto integrante de seu governo compartilhava o conteúdo de discussões da UE com Moscou, levantando acusações de espionagem.
A eleição foi acompanhada de perto em toda a Europa, o que demonstra o papel desproporcional que Orbán ocupa na política populista mundial. Integrantes do movimento “Make America Great Again”, de Trump, veem o governo de Orbán como exemplo, enquanto defensores da democracia liberal o criticam severamente.
Após votar, Magyar disse a jornalistas que a eleição era “uma escolha entre Ocidente ou Oriente, propaganda ou debate público honesto, corrupção ou vida pública limpa”.
Ao votar em Budapeste, o jovem Marcell Mehringer, de 21 anos, disse que votava para que a Hungria finalmente fosse um país europeu de fato, e para que os cidadãos pudessem unir a nação e derrubar as barreiras nascidas do ódio.
Durante seus 16 anos como primeiro-ministro, Orbán promoveu medidas duras contra direitos de minorias e liberdade de imprensa, enfraqueceu instituições húngaras e foi acusado de desviar quantias para empresários aliados — acusações que ele sempre negou.
Ele também tensionou a relação com a União Europeia usando repetidamente seu poder de veto para bloquear decisões unânimes. Mais recentemente, ele bloqueou um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, o que gerou forte desgaste diplomático com os aliados do bloco.
Magyar emergiu rapidamente como o adversário mais sério de Orbán. O líder de 45 anos do partido de centro-direita Tisza fez campanha focada em temas que afetam os eleitores comuns, como o enfraquecimento da saúde e transporte e a corrupção generalizada.
Ex-integrante do Fidesz, Magyar rompeu com o governo em 2024 e rapidamente fundou o Tisza. Desde então, percorre o país intensamente, realizando comícios em cidades grandes e pequenas — chegando a visitar seis localidades por dia.
Em entrevista recente, Magyar disse que a eleição seria um “referendo” sobre se a Hungria continuaria se aproximando da Rússia sob Orbán ou se retomaria seu lugar entre as sociedades democráticas da Europa.
O Tisza obteve 30% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu em 2024, e Magyar conquistou uma cadeira como eurodeputado, integrando o Partido Popular Europeu, principal família política de centro-direita da UE.
Magyar e o Tisza enfrentam um desafio significativo pelo controle de Orbán sobre a mídia pública e privada. A reformulação do sistema eleitoral e dos distritos pelo Fidesz exige que o Tisza obtenha vantagem considerável para alcançar a maioria simples.
Além disso, centenas de milhares de húngaros étnicos em países vizinhos têm direito a voto e tradicionalmente apoiam Orbán. Fidesz e Tisza já criaram plataformas para relatar irregularidades, acusando adversários de planejar abusos.
Serviços secretos russos teriam planejado interferir na eleição para favorecer Orbán, segundo reportagens internacionais. O ex-premiê, por sua vez, acusou a Ucrânia e a UE de tentar interferir para instalar um governo “pró-Ucrânia” no país.
Essas acusações explicam por que muitos na União Europeia veem Orbán como um risco ao futuro do bloco. Por outro lado, nos EUA, Trump e o movimento MAGA apoiam fortemente o líder húngaro, tendo recebido reforço da visita de JD Vance na semana passada.

