Faixa lançada pela Marã Música une crítica social, nostalgia e influências do rock brasileiro dos anos 80 e 90
O cantor e compositor Emanuel Neri apresenta ao público o single “Geração Perdida”, que chega a todos os os aplicativos de música nesta sexta-feira (12 de junho) pela Marã Música. Com uma mensagem forte, reflexiva e carregada de esperança, a faixa transforma inquietações sociais em poesia e convida o ouvinte a olhar para o mundo contemporâneo com sensibilidade, indignação e fé em dias melhores.
“Essa música é um grito de esperança de que um dia teremos um mundo melhor. Ela fala das mazelas do mundo que nos cerca. Fala dessa insanidade destrutiva onde o corpo e alma das pessoas estão sendo consumidas pelas drogas e pelos sentimentos conflituosos, pelo ódio e pela indiferença”, explica Emanuel. A canção nasce como uma observação profunda da realidade atual, atravessando temas como guerras, fome, miséria e a perda da humanidade em meio ao caos cotidiano.
Na composição, Emanuel imagina quase uma cena simbólica e espiritual. “É como se eu estivesse mostrando esse mundo para alguém que acabou de chegar ou de voltar pra cá, como se Jesus estivesse chegando e eu mostrasse a ele como o mundo está, com as guerras dizimando civilizações, matando inocentes, a fome, a miséria e tantas mazelas”, conta. Ao mesmo tempo, o artista deixa claro que “Geração Perdida” não se entrega ao pessimismo: a música também carrega uma mensagem de resistência emocional e esperança no futuro.
Musicalmente, a faixa aposta em uma construção leve e envolvente, permitindo que a narrativa ganhe protagonismo. “Acho que essa música ficou bem leve, o que permite ao ouvinte passear na letra e viajar no tempo entrando e sendo parte do enredo cantado”, afirma. Sem recorrer a um refrão repetitivo tradicional, a canção cresce aos poucos até alcançar um momento intenso e emocionante. “A ausência de um refrão repetitivo está compensada com uma parte crescente e empolgante que entrega a verdade que pretendemos semear nas mentes e nos corações de quem ouvir.”
A origem da composição remonta ao fim dos anos 90, período marcante na vida do artista. “O ano era 1998, eu tinha 19 anos e estava numa máquina de escrever. Inspiração era meu sobrenome. Praticamente todos os dias eu escrevia”, relembra. Na época, Emanuel morava sozinho em Manaus após sair de casa ainda muito jovem para estudar. Foi em uma dessas noites silenciosas, durante o período de racionamento de energia elétrica na cidade, que “Geração Perdida” nasceu. “Escrevi essa música numa daquelas noites solitárias, com um lápis e uma folha sob a luz de vela. Essa música veio num turbilhão de composições onde eu entreguei tudo o que estava vendo e sentindo.”
Mesmo escrita há quase três décadas, a canção permanece extremamente atual. “Interessante que guardei por muitos anos, mas que continua atual, como se tivesse escrito ontem”, comenta o cantor. Essa permanência temática reforça a força da obra e a capacidade de Emanuel de transformar experiências pessoais em reflexões universais.
Com o lançamento, o artista busca transmitir conforto e esperança em meio aos tempos difíceis. “Por mais que existam coisas absurdas acontecendo, temos de ter a certeza de que isso é passageiro, que um dia haverá um novo sol brilhando para todos e que as coisas vão ser melhores. Busco passar essa esperança, fé e confiança nesse amanhã.”
A expectativa para o lançamento também é grande. Após a recepção positiva do single “Fábrica”, lançado em janeiro, Emanuel viu sua música ultrapassar fronteiras. “Quando lançamos ‘Fábrica’ eu não fazia ideia do que ia acontecer e desde então vejo a música sendo tocada em vários estados e outros países. É uma realização indescritível e a expectativa é de ir cada vez mais longe”, celebra.
O videoclipe de “Geração Perdida” já está nos planos e será lançado em breve. “O clipe vai vir depois. Aguardem!!”, adianta o artista.
A relação de Emanuel Neri com a música atravessa toda a sua trajetória. Desde a infância, quando cantava músicas de Roberto Carlos na escola, até o primeiro violão ainda criança, a arte sempre esteve presente em sua vida. Em Manaus, encontrou na música um espaço de pertencimento, passando por grupos de juventude, pelo movimento espírita com o grupo Harmonia e pela banda TNT, que marcou sua vivência no rock entre o fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Durante a pandemia, voltou a encontrar na música um refúgio emocional através de transmissões ao vivo, experiência que ajudou a impulsionar sua decisão de iniciar oficialmente sua carreira profissional.
“Acho que estou começando agora”, resume. “Na juventude tive experiências com o grupo Harmonia e com a banda TNT, mas como carreira eu estou começando agora com esse single.”
Entre suas principais influências, Emanuel carrega a força do rock nacional das décadas de 80 e 90, especialmente bandas como Legião Urbana, Biquíni Cavadão, Capital Inicial, Barão Vermelho, Titãs e Engenheiros do Hawaii.
CONFIRA A LETRA DE “GERAÇÃO PERDIDA”:
Olha vê o mundo em que vivemos
As drogas consomem o corpo
O ódio consome a alma
Só não vê quem quer ser cego
E fecha os olhos para o mundo
Esquece que tem Vida lá fora também
Eu não estou alheio à dor de ninguém
Vamos dar uma volta
Eu vou te mostrar o que existe
Sei que não vai gostar de ver
Guerras, morte, tristeza e dor
E a lágrima dos inocentes
Que morrem sem saber
Nem ao menos porque nasceram
Estou cansado de ver tudo isso
Mas pra tudo há de ter uma solução
Isso não é só culpa minha
Nem é só culpa sua
Ou de nenhum de nós
Mas sei que essa chuva vai passar
E que o sangue humano não será mais
O vinho na taça dos ambiciosos
E de ninguém
Quando o sol nascer de novo
E secar todo esse sangue
que ficou no chão
Eu quero te reencontrar
E aí você vai entender
o sentido de tudo isso
Pra não mais esquecer
E tudo vai ser bem melhor

