Grupo sinalizou disposição em negociar proposta da Casa Branca e disse aceitar entregar governo de Gaza; Trump ameaçou com ofensiva devastadora caso não haja acordo.

O grupo terrorista Hamas anunciou nesta sexta-feira (3) que aceita negociar os termos da proposta de cessar-fogo apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e se mostrou disposto a libertar todos os reféns israelenses, vivos ou mortos. A medida foi comunicada poucas horas depois de Trump dar um ultimato ao grupo.
Em publicação em rede social, o presidente americano afirmou que o Hamas teria até domingo (5) para aceitar a proposta, sob pena de enfrentar um “inferno total”. Segundo ele, essa seria a última chance de os militantes do grupo preservarem suas vidas, após mais de 25 mil já terem sido mortos no conflito.
Em comunicado oficial, o Hamas ressaltou que está aberto a discutir os detalhes do plano e que aceita entregar o governo da Faixa de Gaza a um órgão independente formado por tecnocratas palestinos, com apoio árabe e islâmico. Apesar disso, o grupo deixou claro que não aceitou integralmente o projeto da Casa Branca.
O Hamas ainda mantém mais de 40 reféns sequestrados em 7 de outubro de 2023, quando o atentado terrorista contra Israel deu início à guerra. Parte das vítimas já foi confirmada como morta, aumentando a pressão internacional por uma solução imediata.
O plano americano
A proposta da Casa Branca prevê transformar Gaza em uma zona livre de grupos armados. Integrantes do Hamas poderiam receber anistia, desde que entreguem as armas e aceitem conviver pacificamente com Israel. Em troca, Israel libertaria cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Outro ponto central é a criação de um comitê de tecnocratas palestinos e especialistas internacionais para governar Gaza, sob supervisão de um órgão chamado “Conselho da Paz”, presidido por Trump. Ainda não está definido se Israel terá participação direta nesse conselho.
O plano também prevê que a ONU e o Crescente Vermelho coordenem a distribuição de ajuda humanitária na região. Quanto ao reconhecimento de um futuro Estado palestino, o projeto é vago, mas sugere um caminho possível para esse objetivo.
O prazo estabelecido pela Casa Branca é de 72 horas para que o Hamas liberte todos os reféns. Caso isso ocorra, o cessar-fogo entraria em vigor de forma imediata.
Apoio internacional e impasses
A proposta recebeu elogios de países da Europa, da Autoridade Palestina e também do governo brasileiro. Israel, por sua vez, afirmou apoiar o plano, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que não aceitará a criação de um Estado palestino. Ele também advertiu que a ofensiva em Gaza continuará caso o acordo não seja fechado.
Em Gaza, moradores se mostraram céticos em relação à iniciativa. Muitos afirmaram não acreditar em mudanças concretas e temem que um novo ciclo de violência seja desencadeado.
Ameaça de Trump
Trump fixou como limite as 19h de domingo, no horário de Brasília, para que o Hamas aceite a proposta. Caso contrário, prometeu uma ofensiva devastadora contra o grupo.
Em sua declaração, Trump classificou os militantes como uma “ameaça implacável e violenta”, pediu a libertação imediata dos reféns e alertou que, caso o acordo não seja firmado, “um inferno como ninguém jamais viu antes se abaterá sobre o Hamas”.
O presidente também fez um apelo aos palestinos inocentes para que deixem determinadas áreas em antecipação a possíveis ataques contra as forças remanescentes do grupo.

