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As justificativas dos Estados Unidos para taxar o Brasil em 25% sobre os produtos exportados incluem a acusação de que o Brasil permite o desmatamento. Para o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, as análises do governo de Donald Trump são totalmente infundadas.

“O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O governo Trump virou as costas para a questão ambiental no mundo inteiro. Saiu do Acordo de Paris”, disse Astrini.

Segundo o pesquisador, os Estados Unidos estão levando vantagens comerciais por não aplicarem nenhuma medida de proteção ambiental como a redução da emissão de carbono. Existem dezenas de outros países que desmatam e esse argumento não está sendo usado para nenhum outro país para impor taxas sobre os produtos.

“É uma medida puramente política, não tem nada a ver com a questão ambiental. É apenas uma desculpa para impor uma barreira tarifária ao país”, afirmou Astrini.

Ele destaca as ações feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como fundamentais para a redução do desmatamento no país. O Ibama recebeu aportes financeiros do Fundo Amazônia o que foi importante para intensificar a fiscalização.

Segundo estudo do MapBiomas, o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025.

“O Brasil atingiu em 2025 um marco no monitoramento do desmatamento: pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. De acordo com o RAD2025 (Relatório Anual do Desmatamento no Brasil) foram desmatados 984.794 hectares no país, uma redução de 20,6% em relação a 2024”, dizem os pesquisadores.

O MapBiomas é iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas.

Amazônia e Cerrado juntos responderam por mais de 84% de toda a área desmatada no país em 2025. O Cerrado permanece como o bioma com a maior área desmatada, com 540.614 hectares, concentrando sozinho 54,9% do desmatamento do país, apesar da queda de 16,9% em relação a 2024. Na Amazônia, foram desmatados 289.478 hectares, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior.

O Pantanal registrou a maior redução proporcional entre todos os biomas: queda de 48,4% na área desmatada em relação a 2024, somando 12.260 hectares perdidos no ano.

De acordo com o MapBiomas, o desmatamento associado à expansão da agropecuária responde por mais de 97% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil nos últimos sete anos. Esse vetor de pressão responde por 99% da vegetação nativa perdida no Brasil em 2025. No último ano, 99% da área desmatada associada ao garimpo estava concentrada na Amazônia, com maior incidência no Pará.

Já os desmatamentos relacionados a empreendimentos de energia renovável estiveram quase que totalmente concentrados na Caatinga, que respondeu por 97% da área desmatada associada a esse vetor.

Os desmatamentos associados à expansão urbana apresentaram aumento de 7% em relação a 2024 e concentraram-se principalmente no Cerrado e na Amazônia, que juntos responderam por mais de 60% da área de vegetação nativa perdida vinculadas às áreas urbanizadas.

 

 


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As forças americanas atacaram o Irã pelo nono dia consecutivo nesta segunda-feira (20), em meio a crescentes preocupações com o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, depois que o Irã informou que dois petroleiros haviam explodido.

A Guarda Revolucionária Islâmica informou que havia atacado aeronaves americanas no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis, bem como recursos e equipamentos militares dos EUA no acampamento de Al-Adiri e na Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, e na Síria.

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Sirenes soaram no Barein nesta manhã, informou o Ministério do Interior do país, enquanto o exército do Kuwait afirmou estar interceptando drones em um ataque iraniano.

Os ataques fazem parte de um ciclo crescente de confrontos entre os EUA e o Irã após o colapso de um acordo provisório de cessar-fogo assinado há um mês, aprofundando a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, que tem interrompido o abastecimento de energia e alimentado temores de inflação global.

Em comunicado, o Comando Central dos EUA afirmou ter iniciado “uma nova onda de ataques” com o objetivo de “prejudicar” a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais nas rotas marítimas vitais do estreito. O comunicado não forneceu mais detalhes.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, citando seus próprios repórteres, informou que mísseis dos EUA atingiram várias cidades iranianas na madrugada desta segunda-feira.

Explosões foram ouvidas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini, segundo a Tasnim.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos continuariam a atacar o Irã enquanto este atacar a navegação comercial global.

“O Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional, e eles continuam a atacar os navios nessa via navegável internacional”, disse Rubio.

“Enquanto o Irã insistir em controlar uma via navegável internacional, teremos que responder a isso. Os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática.”

Petroleiros atingidos

O governo do Kuwait informou que uma usina de dessalinização foi atacada pelo segundo dia consecutivo, causando um incêndio, no que chamou de ataque direto à infraestrutura civil vital.

As preocupações com o fluxo de suprimentos de energia pelo Estreito de Ormuz persistem desde que os Estados Unidos e o Irã retomaram as hostilidades abertas, após acusarem-se mutuamente de violar repetidamente um acordo de cessar-fogo.

O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido informou no final do domingo que recebeu um relato de que uma embarcação estava em chamas na costa de Omã, embora não tivesse verificado a causa.

A Guarda Revolucionária informou que dois petroleiros haviam explodido após tentarem transitar pelo que descreveu como uma rota sul insegura através de Ormuz, alegando que as embarcações haviam sido incentivadas pelas Forças Armadas dos EUA a usar a passagem.

A Reuters não conseguiu verificar imediatamente o incidente.

O comunicado não forneceu detalhes sobre os nomes das embarcações, bandeiras, tripulações ou eventuais vítimas.

A Guarda afirmou que a via navegável permaneceria insegura enquanto continuasse o que chamou de “agressão” dos EUA na região, alertando que “essa passagem não será segura para o trânsito de produtos petroquímicos, nem mesmo para uma única gota de petróleo e gás”.

Quatro navios atravessaram o Estreito de Ormuz no domingo, uma queda em relação aos oito do dia anterior. Pelo menos três petroleiros e um superpetroleiro entraram no estreito desde sexta-feira para carregar combustível.

Os preços do petróleo subiam 2%, para mais de US$ 90 o barril, nesta segunda-feira.

Na mais recente baixa norte-americana registrada na guerra, as Forças Armadas dos EUA informaram nesse domingo que um militar foi morto no sábado (18) no Norte do Iraque – onde os EUA mantêm bases militares – durante uma detonação controlada do que o Comando Central chamou de munição não detonada em um drone iraniano abatido.

As Forças Armadas dos EUA informaram anteriormente que dois militares morreram na Jordânia e que um terceiro estava desaparecido em ação. Nesse domingo, o Comando Central informou que “restos mortais não identificados” haviam sido encontrados no local do ataque de sexta-feira e que “um processo de exame para verificar os restos mortais está em andamento”.

Os últimos anúncios de baixas elevaram para 17 o número total de militares norte-americanos mortos desde o início da guerra, com mais de 420 feridos.

O conflito, que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, com o objetivo de neutralizar os programas nucleares e de mísseis de Teerã e enfraquecer seus aliados regionais, já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano.

(Reportagem de Nayera Abdallah e Eman Abouhassira, em Dubai).

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Enquanto se preparam para sediar a final da Copa do Mundo de Futebol neste domingo (19), os Estados Unidos (EUA) intensificam a guerra contra o Irã com ataque a uma instalação nuclear em construção em Darkhoveyn, no sudoeste do país. Do outro lado, o Irã escala a guerra com ataques a alvos na Jordânia, Kuwait e Bahrein nas últimas horas.

O ataque ao canteiro de obras de uma usina nuclear do Irã ocorreu na madrugada de hoje, no horário local iraniano, segundo informou a Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI).

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“O canteiro de obras de Darkhoveyn, um dos símbolos da dignidade científica e da autossuficiência da nação iraniana, foi alvo de um ataque terrorista injustificável”, disse o comunicado da organização publicado na mídia estatal iraniana Press TV.

O ataque a instalações nucleares pacíficas é proibido pelo direito internacional, esteja ela em operação ou não. Os EUA não se manifestaram sobre esse ataque informado pelas autoridades iranianas. 

Por meio de nota, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, afirmou que está investigando os relatos de ataques ao canteiro de obras da usina nuclear em Darkhoveyn, destacando que a instalação estava nos estágios iniciais de construção.

“E não continha material nuclear quando foi visitada pela última vez pelo AIEA. Embora o ataque relatado não seja considerado como representando qualquer risco radiológico, o diretor geral Rafael Grossi reitera o apelo por moderação militar nas proximidades de todos os locais relacionados a nuclear”, diz comunicado da AIEA.

Sem citar a unidade nuclear iraniana, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) no Oriente Médio informou que realizou, durante a noite de ontem, a 8ª onda consecutiva de ataques contra o Irã desde a retomada da guerra.

“As forças do CENTCOM atingiram com sucesso instalações iranianas de vigilância costeira e defesa aérea, capacidades marítimas e locais de armazenamento de mísseis e drones, visando continuar a degradar as capacidades militares do Irã”, informaram os militares estadunidenses.

A guerra no Oriente Médio vem escalando nas últimas semanas com acusações, de ambos os lados, de violações do Memorando de Entendimento assinado entre os países.  O Irã afirma que 57 pessoas morreram durante as novas ondas de ataques.

O país persa acusa os EUA de atacar infraestrutura civil, incluindo hospital, pontes e postos de monitoramento do tráfego marítimo. Do outro lado, os EUA afirmam que o Irã teria violado o acordo com ataques contra navios comerciais no Estreito de Ormuz, que voltou a ter o trânsito fechado.

Ataques do Irã no Kuwait, Jordânia e Bahrein

O Irã informa que vem realizando ataques “retaliatórios” contra instalações militares dos EUA em países da região. Nesse domingo (19), o Kuwait informou que unidades de geração de energia e dessalinização de água do país foi atingida pela segunda vez em dois dias.

Também foram registrados, durante esse final de semana, ataques contra bases militares dos EUA no Bahrein e no território da Jordânia, com saldo de, pelo menos, dois militares estadunidenses mortos. 

Por meio de nota, o Exército do Irã informou que teve como alvo bases dos EUA no Kuwait, em al-Adiri, como respostas aos ataques dos EUA a “infraestrutura civil”, incluindo pontes.

“Localizado a aproximadamente 104 quilômetros das fronteiras do Irã, o acampamento al-Adiri serve como um importante centro de apoio logístico e de reconstrução de força para as forças americanas”, diz comunicado do Exército iraniano publicado na mídia estatal persa.

Já o governo da Jordânia informou, neste domingo (19), que interceptou três de quatro mísseis iranianos que entraram no espaço aéreo do país.

“O quarto míssil caiu em uma área remota e desabitada no sul da Jordânia. Os militares confirmaram que o incidente não causou vítimas nem danos materiais”, diz comunicado das Formas Armadas da Jordânia publicado na agência estatal de notícias Petra.

O Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou hoje que interceptou dois drones MQ-9 Reaper e a Marinha da IRGC comunicou que quatro embarcações foram impedidas de passar no Estreito de Ormuz neste domingo.


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Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu Puerto Madero, no México, na manhã desta sexta-feira, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).

O terremoto ocorreu a uma profundidade de 10 quilômetros (km), com epicentro em Chiapa informou o USGS.

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De acordo com veículos de imprensa locais, o sismo levou à evacuação de emergência de centenas de trabalhadores de vários edifícios emblemáticos públicos e privados em Villahermosa, bem como à ativação imediata de protocolos de segurança e verificação por parte das autoridades estaduais.

 

*Com informações da Reuters

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As Nações Unidas (ONU) querem promover a saúde mental por meio da Copa do Mundo de futebol associando o esporte ao bem-estar dos povos.

O Escritório da Juventude da ONU realiza evento sobre o tema na sede da organização, em Nova York, nos Estados Unidos (EUA), nesta sexta-feira (17).

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Com o tema Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude, o ONU Amigos do Futebol reúne jovens, governos, setor privado e sociedade civil para discutir uma agenda de promoção da saúde mental por meio do futebol.

A agenda se apoia em relatório da ONU que constatou que uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos tem algum problema de saúde mental. Além disso, a depressão entre adolescentes e jovens adultos aumentou nos últimos anos.

“O mesmo relatório constatou que a prática de esportes coletivos está associada a menores taxas de depressão e ansiedade, independentemente do país, mas que muitos jovens enfrentam barreiras para uma participação significativa no esporte”, informou a ONU News.   

A ideia é usar a capacidade do futebol de construir comunidades, pertencimento e um desejo de superar os próprios limites, elementos importantes para a saúde mental.

Brasil e gênero

Para a Copa do Mundo Feminina, que ocorrerá no Brasil, em 2027, o coordenador do evento em Nova York sugere que o evento foque no combate à violência de gênero.

“Hoje é a saúde mental, amanhã na Copa do Mundo Feminina no Brasil, por exemplo, precisa ser a questão de gênero. Um país como o nosso, que tem o índice de feminicídio que nós temos, não pode receber a Copa do Mundo Feminina sem tratar dessa questão”, disse Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni.

Bets

No Brasil, o abuso do uso de sites de apostas on-line, as chamadas bets, tem sido associado ao agravamento de quadro de saúde mental em parte dos apostadores, devido à perda de dinheiro e ao endividamento promovido pelas apostas.

Na Copa do Mundo, a paixão pelo futebol pode se tornar uma poderosa ferramenta de manipulação a serviço das empresas de apostas online, as chamadas bets. O alerta é do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). 

Levantamento da fintech Klavi com base em uma amostra de 1,2 milhão de brasileiros, identificou, por meio de dados da Open Finance, do Banco Central, que foram enviadas a casas de apostas R$ 944 milhões, durante a atual Copa do Mundo, sendo R$ 17,9 milhões apenas na quinta-feira (16).

“Eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirma o Idec.

A alta demanda por atendimento psicológico para jogadores compulsivos de bets levou o Sistema Unido de Saúde (SUS) a ampliar a oferta de teleatendimento. 

“É importante reconhecer que, para algumas pessoas, a prática pode se tornar um problema e causar danos significativos na saúde física e mental, nas relações sociais e na vida financeira, comprometendo a qualidade de vida”, diz comunicado do Ministério da Saúde. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental/nao-aposte-sua-saude


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O pacote com 34 medidas para flexibilização de regras para venda de armas do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), deve facilitar o acesso a armamento pesado por facções criminosas no Brasil. A avaliação é de especialistas em segurança pública consultados pela Agência Brasil.

Entre as medidas propostas pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, na sigla em inglês) dos EUA, estão a permissão para compra de armas pelos correios; redução de tempo para vendedores manterem os registros das vendas;  e uma consulta mais frouxa sobre antecedentes dos compradores.

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A flexibilização de Trump preocupa especialistas no Brasil porque os EUA figuram como um dos principais fornecedores de armas para diversas partes do mundo.

No México, 80% das armas apreendidas com cartéis de drogas vêm do vizinho do Norte. No Haiti, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que vem dos EUA a maior parte das armas das gangues que controlam cerca de 80% de Porto Príncipe, a capital.

Das armas de fogo apreendidas em países do Caribe, entre 2018 e 2022, 73% tinham origem nos EUA, segundo dados do ATF reunidos em pesquisa da Universidade de Harvard.

Medidas de Trump preocupam Brasil

No Brasil, estudo publicado no Journal of Illicit Economies and Development, do Reino Unido, aponta que, entre as apreensões de 1,7 mil fuzis ilegais no Sudeste entre 2019 e 2023, 54% tinham origem nos Estados Unidos.

“Isso coloca os EUA na primeira posição como país de origem de fuzis ilegais, um recurso decisivo para sustentar e expandir o crime organizado”, escreveram os pesquisadores brasileiros Bruno Langeani e Natalia Pllachi.


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Para Bruno Langeani, medidas dos EUA facilitam acesso de facções brasileiras a armas – Foto: Fernando Freitas/Instituto Sou da Paz

A Agência Brasil conversou com Bruno Langeani, também consultor sênior do Instituto Sou da Paz. Para ele, as medidas de Trump são “bastante preocupantes” por “certamente facilitarem o acesso das facções brasileiras a essas armas”.

“Os EUA têm um problema nessa regulamentação, que já acontecia, que é vender peças semiprontas sem nenhum tipo de controle, sem nenhum tipo de registro. Essas peças são um problema sério para o Brasil”, avaliou.

Segundo Langeani, as armas desmontadas são mais fáceis de enviar para o exterior por passarem despercebidas pelas alfândegas.

“É muito comum que essas peças sejam enviadas pelos correios. Fica difícil de detectar por não ser uma arma completa. Se você passa num raio-x, e não tem alguém treinado para identificar as partes, fica mais difícil de você encontrar e combater”, completou.

Considerando todas as armas de fogo de estilo militar apreendidas na Região Sudeste, e não apenas os fuzis, os principais países de origem dessas armas são o próprio Brasil, seguido pelos EUA, pela Alemanha e pela Bélgica.

A publicação assinada por Bruno Langeani ressalta que “fragilidades na produção de dados” sobre armas ilegais apreendidas limitam a análise do cenário do tráfico ilegal de armas no Brasil, pois grande parte do armamento não tem a origem identificada.

Lobby pró-armas

O cientista social Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LAV/Uerj), ressalta que o lobby de armas é forte nos EUA e atua para reduzir a fiscalização da venda dos armamentos.

“Essas agendas de países estrangeiros que querem ampliar seus mercados encontram no Brasil um público interessante. Claro que, alargando a oferta e a facilidade de se adquirir isso nos EUA, evidentemente, as armas vão chegar aqui com mais força”, comentou.

Em setembro de 2025, o governo Trump revogou restrições para exportação de armas de fogo para 36 países, incluindo alguns com histórico de problemas de desvio de armas para o crime, incluindo Paraguai, Colômbia, Suriname, Bolívia e Peru – vizinhos do Brasil.

Ao anunciar a medida, o Departamento de Comércio dos EUA justificou que o fim das restrições “permitirá que os fabricantes de armas de fogo dos EUA concorram em mercados estrangeiros, criando centenas de milhões de dólares por ano em oportunidades de exportação”.

“A gente pode dizer que os EUA estão exportando com menos avaliações de risco, e isso traz mais chances de essa arma ser traficada”, comentou Langeani, do Instituto Sou da Paz.


FILE PHOTO: U.S. President Donald Trump looks on as he signs executive orders and proclamations in the Oval Office at the White House, in Washington, D.C., U.S., May 5, 2025. REUTERS/Leah Millis/File Photo
FILE PHOTO: U.S. President Donald Trump looks on as he signs executive orders and proclamations in the Oval Office at the White House, in Washington, D.C., U.S., May 5, 2025. REUTERS/Leah Millis/File Photo
Pacote do governo Trump reúne 34 medidas para flexibilização de regras para venda de armas – Foto: Reuters/Leah Millis/Proibida reprodução

Contradição

O cientista da Uerj Robson Rodrigues destacou a “contradição” da política de Trump que, de um lado, se propõe a combater os cartéis na América Latina, enquanto liberaliza o acesso a armas dos EUA.

“Eles classificam os cartéis como organizações terroristas, mas não fazem o mínimo esforço conjunto para diminuir o acesso às armas dessas organizações. E não é só a questão das armas, mas também em relação à lavagem de dinheiro”, disse.

Robson Rodrigues afirmou que é preciso combater o lado da oferta da droga, concentrada mais na América Latina, mas também o lado da demanda, que que fica dentro dos próprios Estados Unidos.

“As organizações criminosas domésticas, nos EUA e na Europa, lucram mais que os cartéis no México ou no Brasil. Isso porque eles lucram no varejo, aumentando a margem de lucro. Você tem combater de todos os lados e não só cercar um lado e deixar o outro escancarado”, ponderou.

Para o estudioso da criminalidade, essa aparente contradição pode ser explicada por “esses interesses econômicos [da indústria de armas dos EUA] que estão acima de qualquer interesse humanitário ou social”.

O diretor do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, avalia que a política interna dos EUA está indo na contramão do discurso de combate às drogas de Trump para América Latina.

“Se, de fato, o interesse do governo americano for genuíno no enfraquecimento de criminalidade organizada, ele deveria estar indo em uma direção contrária para reduzir e dificultar o acesso das organizações criminosas a armas que saem dos EUA”, disse.

Entre 2008 e 2024, a indústria de armas de fogo e munições nos EUA aumentou o faturamento em 379%, com um crescimento no número de empregos de 130%, alcançando, respectivamente, US$ 91,7 bilhões e 382 mil postos de trabalho. Os dados são da Associação Comercial da Indústria de Armas de Fogo (NSSF, na sigla em inglês).


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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, chanceler Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos (EUA) buscaram uma “capitulação” do governo brasileiro durante as negociações sobre o tarifaço por meio da exigência de abertura completa de mercados do país sem qualquer contrapartida.

Em declaração à imprensa, nesta quinta-feira (16), Viera afirmou que o governo dos EUA está incomodado com o fato de o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”.

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“Cito como exemplo demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos EUA de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam a capitulação”, afirmou Vieira.

Ontem, os EUA anunciaram uma tarifa adicional de 25% em parte dos produtos brasileiros alegando práticas “desleais” no comércio por parte do Brasil. O governo brasileiro rejeita as justificativas usadas para o tarifaço. 

Chanceler responde Rubio

Ainda na declaração desta quinta, Vieira rebateu a postagem do secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, em uma rede social. Rubio disse que a falta de acordo entre Brasil e EUA teria sido devido ao “ego” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O que Rubio chama de ego nada mais é do que a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania brasileira e dos interesses das nossas empresas e de nossos trabalhadores”, rebateu o chanceler brasileiro.

Marco Vieira acrescentou que Rubio usa falsas afirmações sobre o empenho brasileiro em negociar e “ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo, que se empenhou pessoalmente pela abertura de canais de negociação em várias ocasiões”.

O chefe do Itamaraty relembrou toda trajetória das negociações comerciais entre Brasil e EUA, destacando que foram mais de 30 reuniões presenciais, virtuais e por telefone desde março de 2025.

“Somente com Jamieson Green [Representante Comercial dos EUA/USTR] e com Marco Rubio foram realizados 11 contatos, incluindo as reuniões entre os presidentes”, completou Vieira.

Motivação política

O governo brasileiro vinha defendendo que a ameaça de tarifaço usada pelo governo Trump contra o Brasil tem motivação política, mirando as eleições. Para analistas consultados pela Agência Brasil, a medida seria uma forma de enquadrar o país, que não teria adotado um alinhamento político com Washington como a Casa Branca gostaria. 

No pronunciamento desta quinta, o ministro Mauro Vieira reforçou que não há qualquer justificativa para adoção das tarifas contra o Brasil.

O ministro lembrou do tarifaço de julho de 2025 de 50% contra o Brasil “por expressa motivação política em tentativa de interferência do poder judiciário brasileiro”, em função do julgamento por tentativa de golpe de Estado liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Vieira acrescentou que foi no contexto do julgamento do 8 de janeiro que Trump pediu ao Escritório do Representante Comercial (USTR) do país para abrir uma investigação contra o Brasil baseado na Seção 301 Lei do Comércio dos EUA.  

“Não custa reiterar que os EUA acumularam US$ 424 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar imposto de importação, incluindo oito dos dez principais produtos dos EUA importados pelo Brasil”, afirmou Vieira.

Para o chanceler, apesar da motivação política, o Brasil continuou ativo nas negociações tentando costurar um acordo que evitasse o tarifaço anunciando ontem. “Não houve, portanto, racionalidade na aplicação destas tarifas”, disse.

Pix e desmatamento

Sobre o Pix, que é um dos alvos da investigação dos EUA sobre o Brasil, o chefe do Itamaraty disse que as acusações contra o mecanismo são “descabidas”. 

“O PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX”, disse.

O ministro Mauro Vieira acrescentou ainda que as acusações contra o desmatamento ilegal no Brasil também não se sustentam.

“Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Todas as rejeições dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade”, finalizou.