O ator, ícone da TV e do teatro brasileiro, enfrentava complicações de saúde devido ao agravamento de um câncer de próstata.
Ney Latorraca, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, faleceu nesta quinta-feira (26), aos 80 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela Clínica São Vicente, na Gávea, onde o ator estava internado há seis dias. A causa da morte foi uma sepse pulmonar, decorrente do agravamento do câncer de próstata diagnosticado em 2019.
Após o diagnóstico inicial, Ney passou por uma cirurgia de remoção da próstata e seguiu com tratamentos que mantiveram a doença controlada por anos. Entretanto, em agosto de 2024, o câncer retornou em estágio avançado, já com metástase. Apesar de novas tentativas de tratamento, a doença progrediu rapidamente, resultando em sua hospitalização.
Nascido em Santos, São Paulo, no dia 25 de julho de 1944, Ney cresceu em um ambiente artístico. Filho de Alfredo Latorraca, cantor e crooner, e Tomaza, corista, ele começou sua carreira ainda criança, participando de programas na Rádio Record. Aos 19 anos, passou em um teste para a peça Pluft, o Fantasminha, de Maria Clara Machado, dando início a uma trajetória marcante no teatro brasileiro.
Uma carreira brilhante na TV e nos palcos
Durante a década de 1970, Ney brilhou em produções teatrais de destaque, como Hair (1970), Jesus Cristo Superstar (1972) e A Mandrágora (1975). Ao mesmo tempo, conciliava trabalhos como vendedor e funcionário de banco enquanto buscava oportunidades como ator.
Sua estreia na TV Globo aconteceu em 1975 na novela Escalada, onde interpretou o enigmático personagem Felipe, que não tinha falas. “Era um personagem mudo, mas conquistou tanto o público que minha carreira na TV decolou”, relembrou Ney ao Memória Globo.
Após Escalada, ele se destacou em produções como Estúpido Cupido (1976) e, mais tarde, na minissérie Anarquistas, Graças a Deus (1984), uma de suas preferidas. Ney também ganhou reconhecimento por sua atuação inovadora em TV Pirata (1988), onde deu vida ao icônico Barbosa, um personagem que marcou época na comédia brasileira.
O fenômeno de “Vamp” e o teatro
Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira foi em Vamp (1991), onde interpretou o Conde Vlad. A novela se tornou um marco da cultura pop nacional e consolidou ainda mais o status de Ney como um dos grandes nomes da dramaturgia.
No teatro, Ney protagonizou, ao lado de Marco Nanini, o espetáculo O Mistério de Irma Vap (1986), considerado um dos maiores sucessos teatrais do Brasil, permanecendo mais de 11 anos em cartaz. O trabalho rendeu ao ator diversos prêmios e o reconhecimento como um mestre dos palcos.
Em 1990, Ney teve uma breve passagem pelo SBT, atuando na novela Brasileiras e Brasileiros. No entanto, logo retornou à Globo, onde participou de produções marcantes e consolidou sua carreira.
Últimos trabalhos e legado eterno
A última novela de Ney foi Negócio da China (2008), seguida por uma participação especial em Meu Pedacinho de Chão (2014). Em 2019, ele anunciou sua aposentadoria definitiva, afirmando que queria aproveitar a vida ao lado do marido, Edi Botelho, com quem era casado há 30 anos.
Discreto sobre sua vida pessoal, Ney e Edi mantinham uma parceria também no teatro, onde trabalharam juntos em diversas peças. “Está na hora de eu parar. Quero descansar, viajar e curtir minha vida longe dos holofotes”, disse Ney em sua última coletiva de imprensa.
O ator deixa um legado imensurável para a cultura brasileira. Sua versatilidade, talento e carisma conquistaram gerações e transformaram obras da televisão, teatro e cinema em referências atemporais.
O local e o horário do velório e da cremação ainda não foram divulgados. Ney Latorraca será lembrado como um dos maiores artistas do Brasil, símbolo de dedicação e paixão pela arte.

