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Um novo eclipse lunar está previsto para o dia 3 de março. O fenômeno sempre mobiliza curiosos e especialistas, mas, desta vez, o Brasil não estará na melhor posição geográfica para acompanhar o espetáculo completo da chamada Lua de sangue.

O fenômeno ocorre quando há um alinhamento preciso entre Sol, Terra e Lua.

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“A Terra se coloca entre o Sol e a Lua. Então a Lua fica atrás da sombra que a Terra projeta. É um alinhamento desses três corpos”, explica o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Segundo ele, no eclipse parcial vemos a sombra da Terra avançando sobre o disco lunar, como se fosse “uma mordida” escurecendo a Lua cheia. Já no eclipse total ocorre o fenômeno mais aguardado.

“Quando ela está perfeitamente alinhada, a luz do Sol não consegue mais chegar diretamente à superfície da Lua. Mas atravessa a atmosfera da Terra antes de chegar lá. Só a parte vermelha da luz consegue passar, enquanto a azul é espalhada. Por isso a Lua fica avermelhada, como no pôr do sol”, afirma.

O apelido Lua de sangue, segundo o astrônomo, é mais uma expressão de impacto popular do que um termo científico, mas traduz bem o efeito visual provocado pela filtragem atmosférica.

A notícia, porém, não é animadora para a maior parte do território brasileiro. 

“Infelizmente, na maior parte do Brasil a gente só vai ver o eclipse penumbral, que é um leve escurecimento da Lua cheia e que é um efeito difícil de perceber”, diz Thiago.

Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorre por volta das 6h da manhã, já com a Lua muito baixa no horizonte oeste e pouco antes de o nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a observação.

A situação melhora levemente na região Norte. No Acre, Rondônia e oeste do Amazonas, será possível acompanhar parte do eclipse parcial. “No Acre, por volta das 5h da manhã, já começa a ser possível perceber a sombra avançando. O máximo do encobrimento ocorre perto das 5h45, quando quase toda a Lua estará coberta”, explica.

Ainda assim, ele ressalta que o Brasil não é o melhor ponto do planeta para este eclipse. As condições ideais estarão no Pacífico, em regiões como a Nova Zelândia e ilhas como Fiji, onde a totalidade será plenamente visível.

Etapas

A astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional , detalha que todo eclipse total da Lua passa por cinco etapas: penumbral, parcial, total, parcial e penumbral novamente.

“O eclipse penumbral ocorre quando a Lua entra na sombra mais clara da Terra. Nessa fase, quase não percebemos diferença no brilho. Depois, quando começa a entrar na sombra escura, tem início o eclipse parcial, quando vemos a Lua ficando cada vez mais escura, em formato de mordidinha”, explica.

O eclipse total acontece quando a Lua está completamente imersa na umbra — a parte mais escura da sombra terrestre.

No caso do eclipse de 3 de março, porém, o Brasil verá apenas as fases iniciais. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já estará abaixo do horizonte para nós. O Brasil não vai ver o eclipse total”, afirma Josina.

Cronograma (horário de Brasília):

  • 5h44 – início do eclipse penumbral
  • 6h50 – início do eclipse parcial
  • 8h04 às 9h02 – fase total (não visível no Brasil)

Quanto mais a oeste a localização, maior será a porcentagem de obscurecimento. No extremo oeste do país, o encobrimento poderá chegar a 96% — muito próximo da totalidade, mas ainda tecnicamente classificado como parcial.

Segundo a astrônoma, eclipses lunares são relativamente frequentes no Brasil, mas  teremos  que esperar para rever um espetáculo completo. “Somente na noite de 25 para 26 de junho de 2029 o Brasil terá um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em todo o país”, destaca Josina.

Ainda em 2026 haverá um eclipse parcial quase total (93% de magnitude) visível em todo o território nacional, na noite de 27 para 28 de agosto. Em 2027, os três eclipses previstos serão apenas penumbrais. Já em 2028 haverá eclipses parciais, mas nenhum total visível no Brasil.


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O número de mortes causadas por deslizamentos e enchentes desencadeados pelas chuvas desta semana na Zona da Mata de Minas Gerais chegou a 72 na manhã deste domingo (1°). As informações foram atualizadas em uma entrevista coletiva à imprensa, pela Polícia Civil de Minas Gerais. 

Segundo a corporação, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo sete de moradores de Ubá e 65, de Juiz de Fora.

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Uma pessoa segue desaparecida em Ubá, onde as buscas serão intensificadas. Em Juiz de Fora, o corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, foi encontrado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras. As buscas na cidade foram encerradas.

Desde a noite de segunda-feira (23), somente o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais localizou 61 corpos em Juiz de Fora e sete em Ubá. As forças relataram trabalhos exaustivos, em terrenos íngremes e instáveis

 


28/02/2026 - Juíz de Fora - MG - Bombeiros fazem a última frente de procura de vítimas em que estão tentando resgatar o corpo de um menino de 9 anos, após deslizamento de terra no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
28/02/2026 - Juíz de Fora - MG - Bombeiros fazem a última frente de procura de vítimas em que estão tentando resgatar o corpo de um menino de 9 anos, após deslizamento de terra no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Buscas pelo corpo do último desaparecido em Juiz de Fora, um menino de 9 anos, após deslizamento de terra no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Em um esforço conjunto, as Defesas Civis municipais, estadual e federal se concentram agora na vistoria dos imóveis em locais de risco e pedem a colaboração da população local. 

A Polícia Militar informou que reforçará o policiamento dos imóveis atingidos pelas chuvas e também daqueles que estão em risco, além de proteger as famílias que estão nos abrigos das cidades. 

Já a Polícia Civil segue trabalhando principalmente em três frentes: na liberação dos corpos identificados, para que sejam velados pelas famílias, em mutirões para a emissão de documentos para a população e no combate a golpes. 

A corporação reforçou que é necessário cuidado ao fazer doações, especialmente por Pix, para contas desconhecidas. Quem deseja ajudar, deve procurar canais oficiais e buscar orientações das prefeituras. 

 


28/02/2026 - Juíz de Fora - MG - Bombeiros fazem a última frente de procura de vítimas em que estão tentando resgatar o corpo de um menino de 9 anos, após deslizamento de terra no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
28/02/2026 - Juíz de Fora - MG - Bombeiros fazem a última frente de procura de vítimas em que estão tentando resgatar o corpo de um menino de 9 anos, após deslizamento de terra no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Bombeiros fazem a última frente de busca por vítimas em Juiz de Fora, no bairro Paineiras. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

 

 


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Desde que era adolescente, o pedreiro Danilo Fartes seguiu os conselhos do pai para juntar dinheiro e montar a própria casa. Quem entra no imóvel onde vivem ele, a mulher e o filho no Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, percebe o cuidado para deixar os ambientes confortáveis.

Hoje, aos 40 anos de idade, o pedreiro tem medo de perder o que levou décadas para construir. A casa dele fica próxima ao local onde um deslizamento de terra, na última segunda-feira (23), provocou a morte de mais de 20 pessoas.

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“Minha esposa, minhas irmãs, meus vizinhos estão sem dormir. Todo mundo achando que vai cair de novo”, diz Danilo.

“É o único lugar que a gente tem, foi conquistado com muito suor. Não temos recursos para sair e ir para outra região. Não é uma opção apenas, é o lugar que a gente encontra. A gente consegue um pedaço de terra, faz os cômodos e traz a família. É a história de outros trabalhadores. É o que temos, não queremos morar na rua”, completa.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Buscas por desaparecidos no bairro Jardim Burnier, em Juiz de Fora – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O pedreiro critica a falta de ações preventivas estruturais na área. “Eles esperam muitas das vezes acontecer para depois fazer. Não tem trabalho preventivo. As poucas obras de contenção que têm aqui perto ocorreram só depois que os problemas aconteceram e de forma pontual”, diz. 

Enquanto vive a incerteza sobre o futuro da família, ele lembra os momentos de angústia para ajudar os vizinhos soterrados. Moradores começaram os resgates antes da chegada das equipes oficiais. Havia risco de choque elétrico e de enxurradas.

“A população desesperada veio ajudando, tirando com a unha, na mão mesmo, na raça”, conta.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Deslizamento de terra deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier, em Juiz de Fora – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ele ajudou a retirar vítimas e tentou socorrer uma criança de 3 anos. “Fiz massagem, joguei para dentro do carro e desci morro abaixo. Mas infelizmente não conseguimos ajudar. Ele não resistiu.”

Nascido e criado na comunidade, o pedreiro se esforça para manter a esperança entre aqueles que continuam vivos.

“Tenho trabalhado na organização do trânsito, na remoção de escombros e na distribuição de alimentos. A gente vai ajudando do jeito que pode. Não tem muito o que fazer agora”, diz Danilo.


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O número de mortes nas enchentes em Minas Gerais subiu para 66, das quais 60 em Juiz de Fora e seis em Ubá, informou neste sábado (28) o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Três pessoas ainda seguem desaparecidas, sendo duas em Ubá e uma em Juiz de Fora, o menino Pietro, de 9 anos de idade.

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Até a manhã deste sábado, havia 65 pessoas mortas, mas os Bombeiros encontraram o corpo de um homem não identificado em Juiz de Fora, no Bairro Linhares.

As chuvas causaram alagamentos e deslizamentos de terras e os bombeiros trabalham para buscar sobreviventes e para retirar os corpos em meio aos escombros.

Em Juiz de Fora, segundo a prefeitura, mais de 4,2 mil pessoas estão desabrigadas e desalojadas e foram registradas 2.149 ocorrências pela Defesa Civil desde segunda-feira (24). Em Ubá, são pelo menos 421 desabrigados e desalojados.

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, disse, na sexta-feira (27), que uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco e que é preciso fazer intervenções por todo o município para evitar novas tragédias.  

Também na sexta-feira, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, autorizou o repasse de R$ 6,196 milhões para ações de resposta em sete municípios atingidos por desastres naturais em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul.

Em Minas Gerais, os municípios de Ubá e Matias Barbosa, afetados pelas fortes chuvas desta semana, estão entre os contemplados. 


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Para tornar mais acessível e inclusiva a experiência de pessoa neurodivergentes, o Ministério do Turismo disponibiliza até 30 de março pesquisa nacional sobre o tema.

A iniciativa é uma parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o projeto Mais Acesso. A ação busca obter informações para subsidiar a elaboração de um Guia de Boas Práticas, com orientações voltadas ao atendimento turístico inclusivo.

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Responda à pesquisa aqui.

No decorrer do questionário, os usuários são perguntados de que forma se sentem impactados por:

  • Barulho alto;
  • Cheiros fortes;
  • Toque físico inesperado;
  • Cansaço do cuidador durante a viagem;
  • Se precisa manter rotina de medição.

Os dados servirão para aprimorar políticas públicas, principalmente na qualificação dos serviços turísticos, como em hotéis, pousadas e restaurantes, além de ajudar no fortalecimento da acessibilidade no turismo em âmbito nacional.

“Ao ouvir quem vive a neurodivergência, avançamos na construção de políticas públicas que tornam o setor mais acessível, humano e inclusivo em todo o país”, destaca, em nota, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano.

Etapas da experiência

A pesquisa tem como foco compreender a vivência de pessoas neurodivergentes e de seus familiares durante viagens, ao considerar as diferentes etapas do trajeto, como transporte, hospedagem, alimentação, lazer, eventos e visitação a atrativos naturais e culturais.

Além de identificar demandas sensoriais, comunicacionais e comportamentais, o levantamento busca mapear boas práticas de acolhimento já adotadas no setor, como a capacitação de equipes, a criação de espaços mais tranquilos, a sinalização acessível e a adaptação de atividades às necessidades dos visitantes.

Assim, o público-alvo inclui também profissionais do turismo (guias, agências, receptivos), gestores públicos, empreendedores, pesquisadores e estudantes da área.

Guia

O Ministério do Turismo promove diversas ações voltadas ao turismo acessível, como o livro “Turismo com Acessibilidade: perfil do turista com deficiência e diretrizes para promoção da acessibilidade”, elaborado em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A obra traz dados sobre o perfil do turista com deficiência e apresenta diretrizes para que prestadores de serviços ofereçam experiências mais inclusivas.

As seis dezenas do concurso 2.978 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 21h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O prêmio da faixa principal está acumulado e estimado em R$ 145 milhões.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa. 

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As apostas podem ser feitas até as 20h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet no portal da Loterias Caixa.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.


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O ex-soldado do Exército Yuri Souza, de 19 anos de idade, viveu seu maior ato de bravura na última semana de serviço. Na terça-feira (24), poucos dias antes de ser desligado, ele enfrentou uma rua alagada, com água na cintura, para salvar uma bebezinha de 5 meses durante a enchente em Juiz de Fora, Minas Gerais.

As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira entram para a história como um dos eventos mais extremos na região, deixando 65 mortos, além de milhares de desabrigados e desalojados, segundo o balanço de sexta-feira (27) do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

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Yuri atuava no resgate de crianças e idosos no bairro Industrial, um dos mais afetados pelas chuvas, quando o pai da bebê pediu ajuda. 

“Eu e mais um soldado saímos perguntando quem estava precisando de ajuda e queria ser resgatado, quando o pai da criança me chamou para tirar a bebê e a mãe, presas no segundo andar da casa”, contou.

A família estava em uma das últimas casas da rua onde os soldados atuavam, de difícil acesso.

“O bairro Industrial inteiro estava debaixo d’água”, lembrou Yuri. “Foi até difícil para o Exército chegar, fomos com a viatura até onde deu, até a água bater no motor”.

As imagens que viralizaram nas redes sociais mostram Yuri com água barrenta quase na cintura, caminhando calmamente em um trecho completamente inundado, embaixo de fios da rede elétrica, com a bebezinha no colo.

O ex-soldado conta que o caminhão do Exército estava 300 metros adiante e que era preciso andar até lá para deixar todos em segurança. Então, acompanhado do pai e da mãe da pequena, que não aparecem nas imagens por estarem mais atrás, Yuri segurou firme a criança e caminhou.

“Na hora, você não pensa [em riscos, como correnteza]. Na hora eu só fui”, disse. “Estava ali para ajudar e ajudei”, afirmou. 

Nesse mesmo dia, ele salvou também duas crianças de colo e idosos, todos carregados no colo até o caminhão. No vídeo, é possível ver uma idosa sendo atendida por soldados.

Yuri não tem filhos, mas disse que ficou emocionado com o pedido de ajuda da família e agradece às inúmeras mensagens e elogios que vem recebendo. Ele ficou dois anos no Exército, corporação da qual se despediu na sexta-feira, ao meio-dia. Ele foi dispensado após cumprir o Serviço Militar obrigatório.

O pai da criança, Jeferson Rinco, também homenageou Yuri com uma mensagem emocionante nas redes. 

“No meio daquela inundação, da água levando nossos sonhos, lembranças e tudo o que construímos com tanto esforço, estava a minha filha, pequena, frágil, nos braços do soldado Yuri”, escreveu. 

“Quando eu vi aquela imagem, de novo chorei. Eu vi um anjo de farda, que escolheu arriscar a vida para salvar o que temos de mais precioso nesse mundo”, completou. 

Na mensagem, Jeferson Rinco revela que o momento era de desespero.

Preocupado em evitar mais exposição para a criança, Jeferson preferiu não dar entrevista em detalhes. Mas informou que a família, incluindo seis gatos, passa bem. A mãe e a bebê se abrigaram na casa de parentes, enquanto ele e os animais estão no telhado da residência alagada. Eles perderam bens e móveis com as chuvas, mas esperam conseguir recuperar com apoio e doações.


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O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), reconheceu, nesta sexta-feira (27), o estado de calamidade pública de Paraty (RJ). A portaria com o reconhecimento será publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) de segunda-feira (2).

Paraty está entre os municípios do Rio de Janeiro mais afetados pelas fortes chuvas no estado e que mais tiveram prejuízos. Para ajudar nas ações de resposta ao desastre, dois técnicos da Sedec irão Paraty para auxiliar na elaboração dos planos de trabalho e, consequentemente, na liberação de recursos do MIDR para assistência humanitária e restabelecimento dos serviços essenciais.

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Cerca de 30 alertas extremos de chuva, risco de inundações e deslizamentos foram enviados para municípios do Rio. Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba e Rio das Ostras receberam os avisos na tarde dessa quinta-feira (26).

O Corpo de Bombeiros do Rio foi acionado para mais de 80 ocorrências relacionadas às chuvas desde quinta-feira (26), sendo 33 apenas na madrugada e início da manhã desta sexta-feira (27) – a maioria de inundações, alagamentos e deslizamentos.

Acesso a recursos 

O reconhecimento de situação de emergência ou estado de calamidade pública permite acesso a recursos federais. Para isso, estados e municípios atingidos por desastres devem também apresentar, por meio do S2iD – Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, planos de trabalho claros e metas de atuação.

O passo a passo para solicitação de recursos está detalhado no portal do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).  

Desastres no Sudeste 

Nesta sexta, a Defesa Civil Nacional informou que convocou uma reunião com os órgãos do Sistema Federal de Proteção e Defesa Civil para o detalhamento e alinhamento das ações de resposta aos desastres registrados no Sudeste e atualização das previsões futuras. Em Minas Gerais, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 5 mil estão desabrigadas e desalojadas apenas em Juiz de Fora e Ubá

Participaram da reunião representantes da Casa Civil e dos ministérios da Saúde, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), da Defesa (MD), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Igualdade Racial, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), além de integrantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Previsão de mais chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta vermelho, de grande perigo, para a região. Há previsão de acumulado de chuva em áreas do Rio de Janeiro nesta sexta. Os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia também serão fortemente afetados. A chuva poderá passar de 100 milímetros (mm) em 24h, com risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.

Defesa Civil Alerta

De acordo com o MIDR, os estados podem utilizar o Defesa Civil Alerta, implementado em todo o território nacional.

O sistema utiliza a rede de telefonia celular para enviar mensagens de texto e avisos sonoros para celulares em áreas de risco elevado. Os alertas aparecem de forma destacada na tela dos aparelhos e podem tocar mesmo em modo silencioso.

Não é necessário cadastro prévio e o serviço é gratuito, com alcance de celulares compatíveis (Android e iOS lançados a partir de 2020) e cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G ou 5G.

O recurso não depende de pacote de dados e funciona mesmo se o usuário estiver ou não conectado ao Wi-Fi.

A pasta explica que a ferramenta busca orientar as pessoas sobre as medidas de proteção a serem tomadas. Dessa forma, os alertas terão informações sobre o tipo de risco que está prestes a acontecer e instruções práticas. As definições de conteúdo e do momento de envio dos alertas são de responsabilidade dos órgãos de proteção e defesa civil locais e a ação é operacionalizada por meio da Interface de Divulgação de Alertas Públicos (Idap).

O objetivo do Defesa Civil Alerta é proporcionar maior segurança, sendo complementar aos demais mecanismos de alertas de emergência: SMS, TV por Assinatura, WhatsApp, Telegram e Google Public Alerts.


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Em uma tenda improvisada no bairro Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, Cláudia da Silva oferece alimentos e bebidas para todos que passam pelo local. Ela está ali há cinco dias ajudando moradores, bombeiros, voluntários e profissionais da imprensa. É difícil acreditar que, por trás de todo esse empenho, ela viva um luto recente.

“Perdi quase 20 pessoas da minha família. Vários sobrinhos, cunhada, muita gente”, conta.

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Cláudia tem 71 anos e sempre morou no bairro. Enquanto uma das sobrinhas continuava desaparecida nos escombros de uma casa ao lado, a cunhada era enterrada no cemitério da cidade.

“Eu não tenho condições psicológicas de ir aos enterros. A gente vê isso em outras cidades e não acredita que vai acontecer com a gente. Eu prefiro ficar aqui mesmo, tentando contribuir com as pessoas. Só vou em casa para tomar banho e volto”, diz a moradora.

Ela reclama da falta de apoio das autoridades municipais e estaduais. Alimentos e bebidas oferecidos na tenda chegaram por meio de doações da própria população.

“Tudo aqui é voluntário. Vemos os políticos subindo aqui, fazendo vídeos para as redes sociais, mas ainda não chegou nenhum centavo para as famílias”, diz Cláudia.

 


Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Juiz de Fora (MG), 27/02/2026 - Buscas pela última criança desaparecida no deslizamento de terra ocorrido durante tempestade da noite de segunda-feira, 22 de fevereiro, que vitimou 21 pessoas e deixou várias casas destruídas no bairro Jardim Burnier. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Buscas por desaparecidos em Juiz de Fora – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

As chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde a última segunda-feira (23) deixaram pelo menos 65 mortos, sendo 59 em Juiz de Fora e seis em Ubá, e provocaram deslizamentos em diferentes pontos da região. O número de desabrigados e de desalojados é superior a 4,2 mil.

Em Juiz de Fora, os bombeiros ainda estão mobilizados em três frentes de trabalho: bairros Paineiras, Parque Jardim Burnier e Linhares. Nesta quinta-feira (26), houve um novo deslizamento, que atingiu três casas, no Bairro Bom Clima, em Juiz de Fora, com o registro de uma vítima desaparecida.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de perigo para chuvas intensas até as 23h59 desta sexta-feira na Zona da Mata, com chuva entre 30 e 60 milímetros por hora (mm/h) ou 50 e 100 mm/dia e ventos intensos (60 a 100 quilômetros por hora). Permanece o risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.