Ministro do STF afirma que ex-presidente descumpriu medidas cautelares com participação indireta em atos contra a Corte

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou uma série de indícios que, segundo ele, comprovam que Jair Bolsonaro descumpriu as medidas cautelares impostas anteriormente, o que levou à sua prisão domiciliar. Entre as principais provas estão publicações feitas por seus filhos e aliados nas redes sociais.
Vídeo publicado por Flávio Bolsonaro
Uma das principais citações de Moraes foi o vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e filho do ex-presidente. Na gravação, Bolsonaro envia uma mensagem aos manifestantes reunidos em Copacabana, no Rio de Janeiro:
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos”, disse Bolsonaro.
A postagem, feita nas redes sociais de Flávio, foi apagada posteriormente. No entanto, para o ministro Moraes, o ato representou um flagrante desrespeito à proibição de uso de redes sociais, mesmo que por terceiros.
“O próprio filho do réu […] decidiu remover a postagem realizada em seu perfil, com a finalidade de omitir a transgressão legal”, escreveu Moraes na decisão.
💥🇧🇷💥 El ex presidente Jair Messias Bolsonaro luciendo su tobillera electronica 👀 Manda Un Mensaje a los Manifestantes de Copacabana.
É Pela Nossa Liberdade, Pelo Nosso Futuro e Pelo Brasil.
Reaja Brasil! Nós Venceremos!🇧🇷https://t.co/lvzQM22GYL 🇺🇸🇧🇷 pic.twitter.com/Xw3FgdKCax— Javier 🇺🇾 (@javierellob0) August 4, 2025
Chamada de vídeo com Nikolas Ferreira
Outro ponto citado foi a ligação por vídeo entre Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), durante manifestação em Belo Horizonte. O parlamentar exibiu o ex-presidente na tela do celular para os manifestantes, afirmando:
“Bolsonaro não pode falar, mas pode ver.”
Segundo Moraes, Nikolas utilizou a imagem de Bolsonaro para impulsionar mensagens com o objetivo de coagir o STF e obstruir a Justiça, tendo ciência das proibições impostas ao ex-presidente.
Postagens de Carlos e Eduardo Bolsonaro
Moraes também citou uma publicação do vereador Carlos Bolsonaro, que compartilhou uma foto do pai nas redes sociais com um pedido para que seus seguidores o seguissem. O ministro lembrou que Carlos tinha total conhecimento da proibição ao uso de redes sociais por parte do pai.
Além disso, o ministro destacou falas do deputado Eduardo Bolsonaro, que também participou dos atos do último domingo e teria feito declarações direcionadas ao STF. Isso demonstraria, segundo Moraes, uma atuação coordenada entre os filhos do ex-presidente para burlar as determinações judiciais.
Tentativa de coagir o STF e obstrução da Justiça
Alexandre de Moraes concluiu que houve participação dissimulada de Bolsonaro, com conteúdos “pré-fabricados” e organizados para impulsionar manifestações e pressionar o STF:
“Os apoiadores políticos de Jair Messias Bolsonaro e seus filhos, deliberadamente, utilizaram as falas e a participação – ainda que por telefone e pelas redes sociais – do réu para a propagação de ataques […] com a nítida intenção de pressionar e coagir esta Corte Suprema.”
Processo por tentativa de golpe
A decisão de Moraes tem como base a Ação Penal 2.668/DF, na qual Bolsonaro responde por tentativa de golpe de Estado. As novas provas reunidas, segundo o ministro, reforçam a necessidade de medidas mais restritivas contra o ex-presidente.
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