Rússia tenta proteger aviões com pneus e improvisos contra drones

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) divulgou novas imagens de ataques com drones a bases aéreas russas. No vídeo, com cerca de quatro minutos, é possível ver os drones se aproximando de grandes aviões antes de explodirem. A divulgação foi feita nesta semana, mas os ataques ocorreram no final de semana.
Entre as aeronaves atingidas estavam modelos estratégicos, como o A-50, os bombardeiros Tu-95, Tu-22 e Tu-160, além dos cargueiros militares An-12 e Il-78. Esses aviões são considerados essenciais para a logística militar e vigilância da Rússia.
As imagens também chamaram atenção por um detalhe incomum: pneus e outros objetos foram posicionados sobre as asas e fuselagens dos aviões russos. A presença desses itens gerou dúvidas sobre sua utilidade prática na proteção contra ataques.
Pneus servem como barreira física e confusão para drones
Segundo o professor Sandro Teixeira, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, os pneus representam uma solução improvisada e de baixo custo para tentar minimizar os danos causados pelos ataques ucranianos.
De acordo com Teixeira, os objetos podem amortecer impactos de drones explosivos, que geralmente só detonam com contato direto. A ideia seria impedir que o impacto ocorra diretamente em pontos críticos da aeronave.
Além disso, os pneus poderiam confundir os sensores embarcados nos drones, que cada vez mais são treinados com inteligência artificial para identificar alvos de forma autônoma. A presença desses objetos pode ajudar a mascarar áreas vulneráveis.
O professor ainda destaca que, dependendo dos sensores dos drones ucranianos, os pneus podem funcionar como disfarce térmico ou visual, prejudicando a leitura precisa das estruturas por câmeras e sistemas de rastreamento.
Estratégia é antiga, mas eficiência segue em debate
O uso de pneus em aviões russos não é uma novidade. A CNN já havia noticiado em 2023 que aeronaves como o Tu-95 estavam sendo cobertas com pneus nas bases militares da Rússia, como na Base de Engels.
Na ocasião, imagens de satélite da empresa Maxar revelaram ao menos dois bombardeiros com pneus sobre a fuselagem. A estratégia buscava não apenas proteger fisicamente os aviões, mas também reduzir sua visibilidade noturna.
Os analistas alertaram, no entanto, que a eficácia dessa técnica é limitada. Mesmo que os pneus reduzam parte da assinatura térmica, sensores infravermelhos e câmeras modernas podem facilmente detectar os aviões.
Avanço dos drones torna defesa mais difícil para os russos
Desde então, a tecnologia dos drones ucranianos evoluiu consideravelmente, tornando os ataques ainda mais precisos e perigosos. Os modelos atuais são equipados com sistemas de navegação mais autônomos e conseguem driblar obstáculos e contramedidas mais simples.
Segundo o professor Leandro Consentino, especialista em Relações Internacionais do Insper, a Rússia tenta com essas medidas “dificultar a identificação dos aviões, não apenas pelos drones, mas também por satélites e mísseis guiados”.
Mesmo assim, os resultados práticos dessa improvisação seguem duvidosos. Com a intensificação do uso de inteligência artificial no campo de batalha, medidas rudimentares como pneus sobre aeronaves tendem a ser facilmente superadas pelos algoritmos de reconhecimento de alvos.
Veja vídeo abaixo:
Nota: Esta matéria é exclusiva e foi produzida com base em informações da CNN, Reuters e imagens divulgadas pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU). Proibida a reprodução sem os devidos créditos.
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