O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta sobre o risco de liquefação e deslizamentos de terra em Mianmar após o terremoto de magnitude 7.7, que deixou mais de 100 mortos e centenas de feridos.
O terremoto que abalou Mianmar
Na manhã de sexta-feira, 28 de março, Mianmar foi atingido por um terremoto de magnitude 7.7, que causou destruição generalizada, com mais de 100 mortos e centenas de feridos. O epicentro do abalo sísmico ocorreu na região central do país, perto da cidade de Sagaing, e foi sentido em diversas regiões vizinhas, incluindo o Vietnã e a China. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta destacando os riscos geológicos que ainda ameaçam a região.
O risco de liquefação no solo
De acordo com o USGS, um dos principais riscos enfrentados por Mianmar após o terremoto é a liquefação do solo. Esse fenômeno ocorre quando o solo saturado de água perde a sua resistência e começa a se comportar como um líquido. Isso pode ser especialmente devastador em áreas urbanas e subúrbios, pois, caso o solo sob prédios e infraestruturas perca sua força, há um risco elevado de desabamentos e danos estruturais. O relatório do USGS indica que mais de 1.000 km² de áreas no país podem ser afetados por esse processo.
Deslizamentos de terra também são uma preocupação
Além da liquefação, o USGS também alertou sobre o risco significativo de deslizamentos de terra em diversas regiões afetadas pelo terremoto. O movimento de massas de rochas e detritos pode agravar ainda mais a situação nas zonas mais atingidas, colocando em risco vidas e comunidades inteiras. O alerta é especialmente crítico em áreas montanhosas, onde a chuva e o tremor podem desencadear esses deslizamentos, causando ainda mais danos.
Efeitos do terremoto em países vizinhos
O terremoto foi sentido em países vizinhos, como a China e o Vietnã. Em Ruili, cidade chinesa próxima à fronteira com Mianmar, houve danos significativos a edifícios e relatos de pessoas feridas. O tremor também foi sentido na cidade de Mangshi, a cerca de 100 quilômetros de Ruili, onde moradores relataram dificuldades para se manter de pé devido à intensidade do abalo. Vídeos enviados à mídia chinesa mostraram ruas cobertas de escombros e equipes de resgate socorrendo vítimas.
O impacto no Vietnã e na comitiva do presidente Lula
Curiosamente, o terremoto foi sentido no Vietnã, onde o presidente Lula e sua comitiva de ministros estavam em visita oficial. Apesar da proximidade geográfica, os membros da delegação brasileira não relataram nenhum impacto direto, pois o epicentro estava a mais de mil quilômetros de distância. Autoridades brasileiras confirmaram que, embora o tremor tenha sido perceptível, não houve qualquer incidente envolvendo os membros da comitiva.
Testemunho de uma brasileira na Tailândia
Uma modelo brasileira, Luiza Conde Mesquita, que reside em Bangkok, na Tailândia, relatou ao G1 sua experiência com o tremor. Ela explicou que, ao sentir o prédio balançar, ficou sem saber como reagir, descrevendo o momento como assustador. Luiza compartilhou sua angústia, evidenciando como, mesmo em países distantes do epicentro, o efeito do terremoto foi sentido e causou incerteza entre os residentes.
A ajuda humanitária em Mianmar
Após o terremoto, o chefe da junta militar de Mianmar fez um apelo internacional por ajuda humanitária. Organizações como a Christian Aid já estão se mobilizando para fornecer assistência essencial à população afetada. Segundo Julie Mehigan, chefe da organização para a Ásia, Oriente Médio e Europa, a situação no país é crítica, com a necessidade urgente de água potável, alimentos e abrigo.
As estimativas de danos e perdas econômicas
O Serviço Geológico dos Estados Unidos divulgou uma análise preliminar indicando que o terremoto pode resultar em milhares de vítimas e enormes perdas econômicas. A previsão é de que as áreas mais afetadas, como as regiões de Sagaing e Meiktila, sofram os maiores danos devido à vulnerabilidade das construções locais. O relatório do USGS alerta que o desastre terá consequências generalizadas, tanto para as comunidades locais quanto para a infraestrutura do país.
A mobilização das Nações Unidas
O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou que a organização já está mobilizando recursos para ajudar a população de Mianmar. Segundo Guterres, as equipes da ONU estão em contato com as autoridades locais para fornecer ajuda imediata e coordenar esforços de assistência humanitária no terreno. A ONU também se comprometeu a apoiar Mianmar a longo prazo, à medida que o país se recupera das consequências desse desastre devastador.
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