‘Chega de ordens de Washington’, desafia presidente interina da Venezuela Delcy Rodríguez
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, subiu o tom contra o governo dos Estados Unidos neste domingo (25). Durante um discurso para trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, Rodríguez afirmou estar “farta” das diretrizes vindas da Casa Branca e exigiu que os conflitos internos do país sejam resolvidos sem interferência estrangeira.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, declarou a mandatária.
O Embate com Donald Trump
A declaração ocorre em um momento de extrema fragilidade institucional após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Recentemente, o presidente americano Donald Trump afirmou que o governo interino estaria sob tutela dos EUA, chegando a declarar controle sobre o petróleo venezuelano.
Embora Trump tenha elogiado Rodríguez inicialmente, chamando-a de “pessoa incrível”, o tom mudou rapidamente. Em entrevista à revista The Atlantic, o presidente americano fez uma ameaça direta: afirmou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” — possivelmente maior que o de Maduro — caso não coopere integralmente com os interesses de Washington.
A Ascensão de Delcy ao Poder
Internamente, a permanência de Rodríguez no cargo foi uma decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) logo após a retirada de Maduro do poder. O objetivo, segundo o tribunal, era “garantir a continuidade administrativa”. As Forças Armadas da Venezuela, através do ministro da Defesa Vladimir Padrino, também reconheceram Rodríguez, confirmando sua permanência no cargo por um período inicial de 90 dias.
De acordo com informações do The New York Times, o nome de Delcy já era considerado “aceitável” pelas autoridades americanas semanas antes da operação contra Maduro, funcionando como uma solução temporária para a transição.
Perfil e Resistência
Advogada de 55 anos, Delcy Rodríguez é uma veterana da política venezuelana, ocupando cargos desde a era de Hugo Chávez em 2003. Conhecida por seu perfil combativo e antiamericano, ela classificou a captura de Maduro como um “sequestro” e reforçou em seu último pronunciamento que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”.
O desafio lançado por Rodríguez agora coloca os Estados Unidos em uma posição diplomática complexa: manter o apoio à transição ou intensificar as sanções contra a líder que eles mesmos ajudaram a validar.

