Imagens mostram momento em que PMs disparam contra suspeito com as mãos na cabeça

Imagens chocantes de câmera corporal (bodycam) de um policial militar registraram o momento em que agentes atiraram contra Igor Oliveira de Moraes Santos, que estava rendido e com as mãos na cabeça. O caso ocorreu na última quinta-feira (10), durante uma operação da Polícia Militar na comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo.
No vídeo, obtido pela CNN, é possível ver o momento em que os PMs entram na residência. Um dos policiais abre a porta do quarto e Igor aparece atrás da cama, claramente rendido, com as duas mãos na cabeça.

Em seguida, o policial atira duas vezes. Igor se abaixa, e os disparos atingem a parede. O agente então ordena que ele se levante; ao obedecer, Igor é atingido por mais tiros disparados pelo mesmo policial e, logo depois, por outro militar. O suspeito cai no chão gravemente ferido.
Policiais foram presos em flagrante
Logo após os disparos, é possível ouvir os PMs comentando: “as COP, as COP”, em referência às câmeras corporais que registraram toda a ação.
Os dois policiais envolvidos, Robson Noguchi de Lima e Renato Torquatto da Cruz, foram presos em flagrante. A decisão foi tomada após análise detalhada das imagens, que comprovaram que a abordagem não seguiu os padrões legais e violou as chamadas excludentes de ilicitude.
O coronel Emerson Massera, chefe de comunicação da PM de São Paulo, afirmou que a corporação agiu rapidamente ao constatar o erro. “Nossa instituição tem compromisso com o acerto. Assim que verificamos que os policiais não agiram dentro das excludentes de ilicitude, foram autuados”, declarou.
Governador Tarcísio de Freitas confirma homicídio doloso
Neste sábado (12), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se pronunciou sobre o caso. “Com análise das câmeras, vimos que houve desvio de conduta. Os dois policiais vão ser indiciados por homicídio doloso, apresentados à Justiça e vão responder pelo crime que cometeram. E vai ser assim sempre”, afirmou.
A rápida ação das autoridades foi vista como fundamental para manter a credibilidade das operações policiais e reforçar a necessidade de respeito aos direitos humanos, mesmo em operações de alta complexidade.
Comunidade de Paraisópolis viveu noite de caos
A morte de Igor ocorreu durante uma grande operação da Polícia Militar na comunidade de Paraisópolis, que terminou com dois mortos e três presos.
Na mesma noite, moradores tomaram as ruas em protesto, depredaram automóveis, atearam fogo em objetos e paralisaram o trânsito. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram fogos de artifício sendo disparados e barricadas improvisadas em vias importantes da região.
A situação reacende o debate sobre a violência policial em comunidades periféricas e o uso das câmeras corporais, criadas justamente para dar transparência e segurança tanto à população quanto aos próprios policiais.
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