Brasileiros foram enganados com promessas de emprego e ficaram meses sob cativeiro
Um vídeo divulgado nesta quinta-feira (13) mostra o momento exato em que Phelipe de Moura Ferreira e Luckas Viana dos Santos, dois brasileiros vítimas de tráfico humano, foram resgatados em Mianmar, no Sudeste Asiático. Os dois estavam sob cativeiro há mais de três meses, forçados a trabalhar para uma organização criminosa especializada em golpes cibernéticos.
Após o resgate, os brasileiros foram entregues às autoridades tailandesas, onde aguardam a repatriação para o Brasil. A operação foi realizada pela ONG internacional The Exodus Road em parceria com o Exército Democrático Karen Budista (DKBA), um grupo armado dissidente das forças militares locais.
Brasileiros vítimas de tráfico humano são resgatados. Luckas e Phelipe foram mantidos reféns por mais de três meses em Mianmar.
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— GloboNews (@GloboNews) February 13, 2025
Fuga foi planejada com antecedência
Phelipe Ferreira conseguiu enviar mensagens secretas para o pai, avisando que tentaria escapar durante o final de semana. Ele explicou que, junto com outras 85 vítimas, atravessaria um rio e correria por cerca de dois quilômetros até chegar a um local seguro.
Nas mensagens, Phelipe pediu orações e se despediu da família, temendo que algo desse errado. “Ora por mim e pede para minha vó, Iorrana e todo mundo orar por nós para que tudo dê certo. Eu te amo, pai. Se acontecer algo comigo, saiba que eu tentei ao máximo”, escreveu.

A fuga foi bem-sucedida e, após o resgate, Phelipe e Luckas foram levados para um centro de detenção em Mianmar antes de serem transferidos para a Tailândia, onde aguardam a regularização de seus documentos para retornar ao Brasil.
Famílias aguardam repatriação com alívio
Os familiares dos brasileiros estão aliviados, mas ainda preocupados com os trâmites burocráticos necessários para trazê-los de volta. Antônio Carlos Ferreira, pai de Phelipe, contou que recebeu as mensagens do filho de um número desconhecido, quando os sequestradores não estavam monitorando.
- “Graças a Deus, meu filho foi resgatado. Estou muito feliz, muito feliz mesmo. Você não sabe o que estou sentindo neste momento”, declarou ao g1.
Já Cleide Viana, mãe de Luckas, destacou a necessidade de apoio do governo brasileiro. “Agora precisamos de ajuda para novos passaportes, pois eles fugiram sem documentos. A ONG está ajudando, mas ainda há etapas a cumprir.”
Governo brasileiro acompanha o caso
O Itamaraty divulgou um comunicado confirmando que acompanha a situação desde outubro de 2024 e que a Embaixada do Brasil em Bangkok está trabalhando na repatriação dos dois brasileiros.
A diplomacia brasileira já realizou gestões junto às autoridades tailandesas para acelerar o processo de documentação e garantir que Phelipe e Luckas retornem ao país o mais rápido possível.

